PCP quer desconfinamento mas espera pelas medidas do Governo

Partido revelou preocupação com as dificuldades que quem está confinado "há muito tempo" começa a demonstrar.

O PCP manifestou-se esta terça-feira a favor do levantamento do confinamento social por causa da Covid-19, mas advertiu que só tomará posição face às medidas "em concreto" tomadas pelo Governo e exigiu "condições de segurança" aos cidadãos.

Esta posição foi transmitida pelo membro da Comissão Política do PCP Jorge Pires no final da reunião com epidemiologistas sobre a situação de Portugal no combate à Covid-19, no Infarmed, em Lisboa, na qual esteve também presente o secretário-geral comunista, Jerónimo de Sousa.

Tendo ao seu lado o líder parlamentar do PCP, João Oliveira, Jorge Pires disse que os comunistas "acompanham a necessidade de começar a desconfinar", considerando mesmo tratar-se "de uma questão central".

"A Escola Nacional de Saúde Pública tem um barómetro que mostra que as pessoas confinadas há muito tempo nas suas casas começam a ter algumas dificuldades. Há problemas na organização familiar, levantam-se problemas na relação entre as pessoas dentro da mesma casa e, portanto, pensamos que é necessário desconfinar. Mas é preciso desconfinar, sobretudo garantindo as condições de segurança que se colocam, quer nas empresas, quer nas escolas", afirmou Jorge Pires.

Em relação ao novo quadro legal que está a ser preparado pelo Governo, o dirigente comunista avisou que o PCP "decidirá em função das medidas que forem tomadas".

Perante os jornalistas, o dirigente comunista referiu-se também de forma crítica "a uma campanha mais ou menos organizada que pretende questionar as capacidades do Serviço Nacional de Saúde" (SNS).

"Com base nos elementos que recebemos nesta reunião, de facto, o SNS tem dado uma resposta extraordinária, quer através dos meios que estão disponíveis para o atendimento dos portugueses, quer através do empenhamento dos seus profissionais. Creio que os dados que agora se registam só se deve ao facto de termos uma rede de cuidados primários estendida a todo o país e que consegue ter um contacto com milhares e milhares de portugueses que se encontram confinados, sejam assintomáticos ou sintomáticos" com Covid-19, "tendo sido tratados sem necessidade de pressionar os hospitais, nomeadamente as unidades de cuidados intensivos", disse.

Em sentido diferente, o membro da Comissão Política do PCP advertiu que estudos científicos demonstram que a atual crise sanitária acentuou as desigualdades sociais.

"As diferenças económicas e sociais dos portugueses têm que ver com a incidência maior ou menor desta pandemia nas pessoas. Face a este quadro, o PCP exige que se faça tudo para que aqueles que se encontram mais desfavorecidos, porque perderam o seu emprego ou os seus rendimentos, possam ver os seus problemas resolvidos. Tem de haver um apoio social maior por parte do Estado", acrescentou.

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