Portugal tem mais 796 mil eleitores do que pessoas com 18 e mais anos

Vila Real, Açores e Bragança são os distritos com mais eleitores quase fantasma.

Há mais 796 mil eleitores em Portugal (sem contar com os círculos da emigração) do que população residente com 18 e mais anos. A abstenção nas últimas legislativas bateu um novo recorde, 51,3% se contarmos com os eleitores no estrangeiro ou 45,5% se apenas olharmos para o território nacional, mas os números apurados pela TSF revelam que ainda há muitos eleitores que não se percebe exatamente de onde vêm, numa altura em que o velho problema dos óbitos que durante décadas continuaram nos cadernos eleitorais já estará resolvido.

A TSF cruzou o número de eleitores com a estimativa fornecida pelo Instituto Nacional de Estatística (INE) para a população portuguesa com 18 e mais anos no final de 2018. Os números do INE são calculados com base em atualizações ao último recenseamento que têm em conta os nascimentos, as mortes e as estimativas das estatísticas migratórias.

Os resultados revelam que estão inscritos nos cadernos eleitorais, em território nacional, mais 796 mil pessoas que o número de residentes estimado pelo INE, numa diferença de 9,3%.

Em todos os distritos os eleitores 'ganham' aos residentes, apesar de existirem diferenças muito mais significativas em certos distritos, com destaque para Vila Real, Açores e Bragança, onde a disparidade ronda, nos três casos, os 30%.

Viana do Castelo, Guarda e Viseu também se destacam por diferenças relevantes entre os 22% e 15%, sendo os distritos a Sul, incluindo Lisboa, os que apresentam valores mais baixos, nomeadamente Faro (4,8%), Lisboa (4,4%) e Beja (3,2%).

Menos que no passado

Os 796 mil eleitores a mais em comparação com a população, que podem aumentar a abstenção e influenciar a distribuição de mandatos pelos distritos e o número de autarcas por município, são, no entanto, menos do que já foram passado - em 2013, por exemplo, pelas contas do JN, ultrapassavam um milhão.

Hernâni Dias, presidente da Câmara de Bragança, num dos distritos que se destaca nesta análise, explica que só encontra uma razão possível para uma diferença de quase 30% entre eleitores e residentes: a emigração.

"Ficaram registados como cidadãos eleitores no nosso distrito, mas residem noutro sítio", indica o autarca.

Grande parte das regiões no topo da lista anterior são conhecidas pela emigração para fora do país, bem como para outras regiões do território nacional.

O gráfico seguinte revela que, apesar da relação não ser linear, as três regiões com maior diferença entre eleitores e residentes também são aquelas que tiveram mais abstenção nas legislativas de 6 de outubro de 2019.

Na prática, apesar de uma mudança de morada no Cartão de Cidadão significar, há vários anos, uma mudança no local onde o eleitor vota, ainda podem existir muitos cidadãos que vivem noutro sítio mas não fizeram essa alteração formal de morada, sobretudo quando vão para o estrangeiro, num fenómeno que pode aumentar, pelo menos em parte, a abstenção que tem atingido níveis recorde.

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