"Precisamos de uma lufada de ar fresco." Relvas quer diretas no PSD

Em reação aos resultados eleitorais, o antigo dirigente social-democrata garante que o partido precisa de uma "nova liderança, novos protagonistas e novas políticas" para voltar a ser alternativa.

O antigo dirigente do PSD, Miguel Relvas, não poupa nas críticas à direção do partido, liderada por Rui Rio, depois da "derrota" nas eleições legislativas. O antigo braço direito de Passos Coelho e ministro dos Assuntos Parlamentares defende uma nova liderança no partido.

"Tem de se resolver com celeridade este processo. Que se marque novas eleições, que se Rui Rio achar que deve ir a votos, que vá, que explique que expectativa e que alternativa quer construir para daqui a quatro anos, que não foi capaz de construir nestas eleições. Precisamos de uma lufada de ar fresco, de novos protagonistas, de novas políticas e de reconstruir o espaço político. O CDS começou esse caminho ontem e o PSD não pode entrar no limbo político à espera que se encontre soluções", avisa Miguel Relvas.

"O maior problema foi a dificuldade que o PSD teve em se assumir como alternativa. Não assumir aquele que foi o seu passado, não ter um projeto alternativo ao partido socialista. Não nos podemos esquecer que António Costa governou quatro anos sem ter ganho eleições, aliás estou convencido que essa é uma das razões que explica bem a incapacidade de chegar à maioria absoluta, com a fragilidade evidente do PSD e do CDS", disse.

Miguel Relvas defende ainda uma profunda reflexão aos órgãos dirigentes para que o partido possa seguir o seu caminho. "Quando ganha, ganha o líder e o partido. Quando perder, perde o líder porque o partido tem de continuar. Muitos daqueles que não querem ver esta realidade, há um ano e meio disseram, depois das eleições autárquicas, em que o anterior líder não era sequer candidato, disseram: ele é o responsável, tem de se demitir. E disseram-no na noite das eleições", recorda.

Numa análise aos resultados eleitorais, Miguel Relvas diz que a eleição foi muito previsível, explicando que a vitória do PS sem maioria absoluta estava praticamente garantida.

"Foi até visível uma certa fragilidade no discurso, na estratégia que demonstra que, se os partidos do centro-direita tivessem tido uma estratégia adequada, se fossem capazes de fazer oposição, se não tivessem cometido os erros que cometeram, teria sido possível aproximarem-se do PS. Foi um mau resultado do PSD, um mau resultado do CDS, consequência da política seguida no último ano e meio", disse.

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