O "furacão ruivo" que nasceu para "ser um lutador". Marcelo reage à morte de Sampaio

O antigo Presidente da República morreu esta sexta-feira, aos 81 anos.

O Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, reagiu à morte do antigo chefe de Estado, Jorge Sampaio. "Lutando serenamente, deixou-nos o Presidente Jorge Sampaio", declarou Marcelo, numa comunicação ao país, a partir do Palácio de Belém.

"Portugueses, acabei de exprimir à família do Presidente Jorge Sampaio, em dor, o pesar de todos vós. Lutando, mas serenamente, nos deixou hoje o Presidente Jorge Sampaio. Lutando serenamente, como sereno foi o seu testemunho de vida ao serviço da liberdade e da igualdade", disse o chefe de Estado.

Marcelo Rebelo de Sousa sublinhou o papel de Sampaio "na revolta estudantil, na defesa dos presos políticos durante a ditadura, na representação externa na democracia nascente", destacando "a construção de pontes, década após década".

Marcelo elogiou a "rara campanha de ideias" durante a candidatura de Sampaio à Câmara de Lisboa, onde foram feitos os primeiros acordos políticos à esquerda.

"Podendo ter-se resignado ao caminho mais fácil do jurista respeitado, da quietude da sua origem social, do natural ascendente da sua cultura, do se pensamento e da sua oratória, escolheu o caminho mais ingrato, da solidariedade com os que mais sofriam", frisou o chefe de Estado.

"Ninguém esquecerá momentos únicos dessa entrega. As intervenções decisivas desse furacão ruivo na Alameda, em 1962. A madrugada da libertação dos detidos em Caxias, após o 25 de Abril, a conversa com Álvaro Cunhal antes da segunda volta da eleição de Mário Soares, em 1986, a travessia nos bairros de lata da capital, que com o Governo de então conseguiu extinguir. Os meses sem dormir, passados nesta casa, em Belém, passados em Timor-Leste, a oposição à intervenção no Iraque", recordou, sublinhando ainda o papel recente na defesa dos refugiados sírios.

"Jorge Sampaio deixou-nos hoje, com um duplo legado, duplo porque feito de liberdade, mas também de igualdade, porque feito de inteligência, mas também de sensibilidade. Porque provou nascer privilegiado e converter na batalha pelos não privilegiados. Sempre lutando, mas com serenidade", concluiu.

O antigo Presidente da República, Jorge Sampaio, morreu esta sexta-feira aos 81 anos. Estava internado desde o dia 27 de agosto, no Hospital de Carnaxide, em Oeiras, devido a problemas cardíacos.

Sampaio estava no Algarve, mas após sentir dificuldades respiratórias, e "dado o seu historial de doente cardíaco", foi transferido para Lisboa, disse na altura com fonte do seu gabinete.

Jorge Sampaio, 81 anos, foi Presidente da República durante dois mandatos, entre 1996 e 2006.

Em 1989 foi eleito líder do Partido Socialista e na mesma altura foi eleito presidente da Câmara de Lisboa, tendo sido reeleito em 1993.

Após a passagem pela Presidência da República, foi nomeado em 2006 pelo secretário-geral da Organização das Nações Unidas enviado especial para a Luta contra a Tuberculose e entre 2007 e 2013 foi alto representante da ONU para a Aliança das Civilizações.

Atualmente presidia à Plataforma Global para os Estudantes Sírios, fundada por si em 2013 com o objetivo de contribuir para dar resposta à emergência académica que o conflito na Síria criara, deixando milhares de jovens para trás sem acesso à educação.

Jorge Fernando Branco de Sampaio desempenhou, ao logo da sua vida, os mais altos cargos políticos no país.

Iniciou o seu percurso, ainda estudante, como um dos protagonistas, na Universidade de Lisboa, da crise académica do princípio dos anos 60, que gerou um longo e generalizado movimento de contestação estudantil ao Estado Novo, até ao 25 de Abril de 1974.

Homem de esquerda e advogado de formação, defendeu casos célebres, como a defesa dos réus do assalto ao Quartel de Beja, o caso da `Capela do Rato", em que foram presas dezenas de pessoas que protestaram contra a guerra colonial

Depois do 25 de Abril de 1974, militou em formações de esquerda, como o MES, onde se cruzou com Ferro Rodrigues, ex-líder do PS atual presidente do parlamento, e só aderiu ao partido fundado por Mário Soares em 1978.

Mais tarde, foi secretário-geral do PS (1989-1992), presidente da Câmara Municipal de Lisboa (1990-1995) e Presidente da República (1996 e 2006).

*Com Lusa

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