Prestação social do Governo "vai deixar milhares de fora". BE explica as diferenças

O Bloco de Esquerda apresentou as diferenças entre a prestação social sugerida pelo Governo e aquela que o partido propôs. Este é um dos pontos que o BE considera fundamental no OE2021.

Mais do que linhas vermelhas, o Bloco de Esquerda insiste na existência de pontos imprescindíveis no Orçamento do Estado para 2021. "Não é uma teimosia nem uma intransigência do Bloco de Esquerda quando queremos discutir as condições concretas em que cada um dos anúncios se vai efetivar na vida das pessoas", apontou Catarina Martins, recusando a ideia de que é um bate-pé do Bloco.

Há quatro pontos das quais o partido não abdica: SNS, combate aos despedimentos, nova prestação social e Novo Banco. Como tal, reitera, é preciso "não permitir que a Lone Star continue a assaltar o Estado e a ser um problema financeiro, garantir que há um travão à vaga de despedimentos e que o apoio à economia tem como contrapartida emprego e salário, ter um SNS que responda à Covid e à não-Covid e não deixar que as famílias vítimas da crise entrem numa espiral de pobreza da qual dificilmente podem sair".

Na conferência de imprensa na sede do Bloco, na manhã desta quinta-feira, a coordenadora do Bloco de Esquerda referiu que ainda não houve contrapropostas do Governo, mas deixa um alerta: "Atirar números grandes e muitos milhões para cima da mesa sem discutirmos regras estruturais da aplicação corre o risco de o Parlamento estar a votar um OE que anuncia algo que depois não existe na vida das pessoas."

Sobre um dos pontos fundamentais - a prestação social extraordinária -, Catarina Martins enalteceu que o Bloco negociou "uma prestação para que ninguém ficasse na pobreza" e surge um OE "que não tem mais do que o prolongamento de apoios extraordinários que já existem revistos em baixa". Isto, diz, "é algo que não podemos aceitar".

José Soeiro apresentou a proposta do Bloco de Esquerda e explicou, com casos práticos, as diferenças entre o partido e o Governo. O deputado bloquista acredita que "o modo como está desenhada [a proposta do Governo vai deixar milhares de fora da prestação".

Veja aqui as comparações apresentadas pelo Bloco de Esquerda:

O impacto financeiro da medida proposta pelo Governo é de 450 milhões de euros, enquanto a do Bloco de Esquerda ronda os 800 milhões de euros. Contudo, a sugestão dos bloquistas inclui alterações no subsídio de desemprego (238 milhões de euros) e ao subsídio social de desemprego (118 milhões de euros).

Feitas as contas, Catarina Martins vai mais longe e compara as diferenças entre Governo e bloquistas com os valores de injeções de capital no Novo Banco: "O que nos separa é menos do que o que está no Orçamento do Estado para o Novo Banco outra vez." "Não é absurdo que, num momento de crise que nós estamos a viver, tenhamos o que nos separa sobre a resposta a pobreza a ser de facto menos do que tudo o que o Governo vai pôr no Novo Banco depois de ter dito que o Orçamento do Estado não tinha dinheiro para o Novo Banco, mas ele lá está", atirou a coordenadora do Bloco de Esquerda.

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