André Ventura. O político que é mais conhecido por ser comentador desportivo

André Ventura foi eleito deputado pelo Chega, um partido de extrema-direita criado em abril deste ano.

É professor universitário, político e comentador de futebol. André Ventura, o cabeça de lista do Chega que conseguiu um lugar no Parlamento, desdobra-se, em frente às câmaras, em várias facetas e joga quase sempre ao ataque, com opiniões polémicas e fraturantes.

Foi um aluno de excelência, licenciou-se em Direito pela Faculdade de Direito da Universidade Nova de Lisboa, com 19 valores, e doutorou-se em Direito Público na University College Cork, na Irlanda. Hoje, concilia a política e o comentário televisivo com a docência na Universidade Autónoma de Lisboa e na faculdade onde se licenciou.

Em 2008, publicou o livro "Montenegro" (sem relação com o antigo líder parlamentar do PSD), que conta a "vida de Luís Montenegro, um ciclista de exceção, vencedor da Volta a Espanha, que de um momento para o outro sente o seu mundo ruir, ao descobrir que se encontra infetado com o vírus da SIDA".

Mais polémica gerou a obra de ficção "A Última Madrugada do Islão - A Conspiração que Matou Yasser Arafat e o Islão", com a Chiado Editora a suspender a publicação do livro por recear o "potencial incendiário" pela forma como era descrita a figura do Profeta Maomé, e pela referência a pessoas e lugares reais da OLP (Organização de Libertação da Palestina).

Incendiárias foram também as várias intervenções que o tornaram uma figura mediática. A primeira aconteceu nas eleições autárquicas de 2017, onde mereceu o apoio do então líder do PSD Pedro Passos Coelho para concorrer à Câmara Municipal de Loures. Acabou por ser eleito vereador com 21,55% dos votos e ficou conhecido pelos comentários sobre a comunidade cigana, que classificou como aqueles que "vivem quase exclusivamente de subsídios do Estado" e acham que "estão acima das regras do Estado de Direito".

Depois da chegada de Rui Rio à liderança do PSD, André Ventura abandonou o lugar na Câmara Municipal de Loures e a militância do PSD, acusando o novo presidente de "dar a mão ao PS". Decidiu então formar um novo partido: o Chega.

O processo de legalização do partido ficou marcado pelo chumbo inicial do Tribunal Constitucional (TC), que encontrou assinaturas irregulares, e mais tarde, embora tenha aceitado a inscrição do Chega como partido político, remeteu o caso para o Ministério Público.

A 12 de abril de 2019, associou-se à Coligação Basta! para as eleições parlamentares europeias de 2019, mas não conseguiu eleger qualquer eurodeputado, o que levou ao fim da coligação com o Partido Popular Monárquico e com o Partido Cidadania e Democracia Cristã.

Entre as propostas do Chega para as eleições europeias estavam a castração química de pedófilos e a proibição constitucional da eutanásia. Ventura defende ainda a prisão perpétua para homicidas e violadores, e considera que "não devem ser restringidos os direitos dos homossexuais" mas não se deve poder chamar "casamento" à união de pessoas do mesmo sexo.

Debater a Europa ou debater futebol?

A cadeira vazia um debate para as eleições europeias promovido pela televisão pública ficou como marca da campanha de André Ventura. Em vez de debater as ideias para a União Europeia e as razões que o levaram a candidatar-se a eurodeputado, André Ventura preferiu "um compromisso profissional que tinha" como comentador desportivo na CMTV, função que considera compatível com a campanha política."

"Eu não sou rico. Vivo dos meus compromissos profissionais e decidi cumprir com a minha palavra e com a minha obrigação" , justificou, na altura, o candidato.

No rescaldo das eleições legislativas, o presidente do Chega destacou o "feito histórico" do partido, "o mais votado dos partidos pequenos", e rejeitou acordos para formar Governo.

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