PSD refém de Ventura? "Com este Chega é impossível conversar"

Numa análise aos resultados das Presidenciais, David Justino garante que André Ventura representa o que há de pior na política, e que os partidos têm de esforçar-se por encontrar alternativas aos problemas colocados, em vez de sublinhar as posições do líder do Chega.

O vice-presidente do PSD e antigo ministro da Educação considerou, no espaço de comentário da TSF no rescaldo das Presidenciais, que "Ventura representa o pior que há na política". À pergunta sobre o líder do Chega, que implicou o PSD numa espécie de relação de interdependência, David Justino respondeu sem hesitações: "Não me sinto nada refém, nem o PSD está refém."

O social-democrata deixou críticas à forma como o candidato presidencial se comportou durante a campanha e na reação aos resultados: prometeu ir à segunda volta, perdeu; prometeu ficar à frente de Ana Gomes, em segundo, perdeu; prometeu demitir-se, "agora diz que os eleitores decidem". David Justino exorta as forças políticas a encontrar soluções alternativas aos problemas a que Ventura promete dar respostas. "Não vamos diabolizar, nem empolar", argumentou.

Na perspetiva do vice-presidente do PSD, os resultados das Presidenciais não significam que o PSD necessite de se aliar à direita radical. "As votações em André Ventura não têm de se traduzir em votos no Chega", esclareceu.

David Justino deixa em pratos limpos a impossibilidade de um rearranjo de forças com o partido liderado por André Ventura. "Com este Chega é impossível conversar e entendermo-nos seja sobre o que for."

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O social-democrata considera que a exigência do Presidente da República "dependerá do Governo", mas salienta que é necessário ter em atenção que "estamos num quadro de crise muito grave". David Justino acredita que os portugueses esperam do chefe de Estado a assertividade para "encontrar as respostas a tempo para os problemas" existentes, e analisa que as últimas posições do Presidente da República se prenderam com um "condicionamento", nos últimos dois meses, por ser também candidato a Belém.

David Justino sustenta que os desafios colocados pela crise são "de tal forma grandes" que tornam necessária uma exigência superior de todas as instituições e órgãos de soberania, desde o gabinete do primeiro-ministro, e passando também pela Assembleia da República.

"Reconfiguração da direita"

O vice-presidente do PSD argumenta que "reconfiguração da direita" é uma "tese" de que muito tem ouvido falar, mas que serve para ilustrar uma mudança, como à esquerda também acontece: "A crise da direita pelos vistos passou. É mais uma expressão para dizer que a direita está a mudar. Mas a esquerda não está a mudar? Está."

A mudança, exemplifica David Justino, passou por uma "derrota estrondosa para os parceiros da geringonça" nestas Presidenciais. Marisa Matias teve um terço da votação recolhida há cinco anos, e, em 2021, o PCP e o BE representam 8% dos votos dos eleitores. "Aqui é que há crise", assinala o social-democrata.

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