Rede maçónica com políticos e magistrados? "Tenho clientes que me dizem ser vítimas de extorsão"

António Lobo Xavier diz ter recebido denúncias de clientes que afirmam ser vítimas de extorsão e perseguição por parte de uma alegada rede maçónica que conta com políticos e magistrados.

Uma proposta do PSD pretende obrigar os políticos a declararem se pertencem a associações relevantes como a Maçonaria e a Opus Dei. Durante a emissão da Circulatura do Quadrado desta semana, António Lobo Xavier, advogado e conselheiro de Estado, deu exemplos de casos de perseguição por parte de uma alegada rede maçónica que, a existir, contará com políticos e magistrados.

"Eu nunca a vi nem sei que forma ela toma, mas eu tenho clientes que me dizem que são vítimas de extorsão por serem ameaçados, fazendo isto entregando dinheiro e quantias e assumindo comportamentos, senão são perseguidos por uma rede maçónica que vai desde a política até às magistraturas", denuncia António Lobo Xavier.

Logo de seguida, Lobo Xavier sublinha não saber "se isso é verdade", mas diz que tem "desconfianças"."Eu tenho desconfianças, leio livros sobre a maçonaria, conheço a história da maçonaria. Que haverá maçons existem. O problema é que eu não sei quem eles são, nem eles se declaram, tirando uma ou duas figuras em Portugal que assumem isso publicamente", sustenta.

Noutro plano, Lobo Xavier considera "uma violação do direito de culto" obrigar os políticos a declarar que são da Opus Dei, uma vez que esta é "uma instituição da Igreja Católica que está reconhecida no código canónica como pessoa coletiva no Estado Português" sobre a qual "não existe nenhum secretismo".

"O vigário regional da Opus Dei foi meu colega de liceu e da universidade. Eu sempre soube o que é que ele era, eu frequentei o meio do Opus Dei, conheço os colégios, os meios de formação. Nunca vi esconderem aquilo que eram, nem sequer comigo alguém alguma vez me tentou influenciar", sustenta.

Por outro lado, o grão-mestre adjunto do Grande Oriente Lusitano, António Ventura, considera que estes casos, a serem verdade, devem ser denunciados junto das entidades competentes.

"São declarações que sugerem ou insinuam que foram praticados atos que eu considero criminosos ou potencialmente criminosos. Portanto, deveriam ser comunicados a quem de direito, às entidades que podem averiguar se ocorreram ou não e processar criminalmente os responsáveis por essas supostas ameaças", diz em entrevista à TSF.

Quanto à propostas do PSD, António Ventura considera que estas se situam numa linha "persecutória", tratando-se de uma lei "de inspiração salazarista" e que viola os princípios da Constituição da República Portuguesa.

"Por outro lado, creio que [esta lei] é não só violadora do direito à privacidade, porque parte de um pressuposto errado, parte de um pressuposto que é negativo a pertença à maçonaria ou à Opus Dei ou a qualquer organização semelhante", remata.

O programa Circulatura do Quadrado passa esta quinta-feira na TSF depois das 13h00.

Notícia atualizada às 13h54

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