"Santos Silva voltou àquilo que era no tempo de Sócrates" para "malhar na direita"

Rui Rio acusa os socialistas de estarem "desnorteados" e de baixarem o nível da discussão na campanha.

"O dr. Augusto Santos Silva voltou àquilo que era antigamente, quando era membro do Governo do engenheiro Sócrates e dizia que gostava muito de malhar na direita", atira Rui Rio em resposta ao ministro socialista e cabeça de lista do PS pelo círculo Fora da Europa, que acusou o líder do PSD de dar o dito por não dito e "trazer as instituições da República para a lama".

Para Santos Silva "não há resposta possível". O ministro dos Negócios Estrangeiros "baixou um bocado o nível" da discussão, acusa Rio Rio, garantindo, por seu lado: "eu mantenho-me sempre igual".

Rui Rio "gosta de produzir belas teorias", criticou Santos Silva no rebate das farpas de parte a parte no caso Tancos, reforçando que na política "há um nível de degradação da linguagem política, de ataque, de calúnia, de ofensa pessoal que degrada a democracia".

Na primeira ação de campanha do dia, em Buarcos, na Figueira da Foz, o presidente do PSD responde às críticas, acusando o Partido Socialista de estar desnorteado e de insistir em trazer Tancos à campanha.

"O PS pede muito que o PSD os poupe relativamente a Tancos e nem sequer fale nisso, e depois são eles próprios que vêm com Tancos para a agenda do dia, isso significa que há ali um desnorte no Partido Socialista, mas que eu me mantenho naturalmente no meu rumo."

O calor da campanha aumentou, reconhece, o social-democrata. Mas só alinha na dança quem quiser. "Para dançar o tango são precisos dois e, portanto, para a tensão crescer também são precisos dois, e aqui vejo mais um, o outro não está a dançar tanto o tango, que é o meu caso. Eu não estou muito disponível para entrar nessa escalada, como se nota no Partido Socialista através de intervenções, por exemplo, do ministro Augusto Santos Silva agora, do presidente do PS, Carlos César."

Isto depois de este sábado à noite, em Guimarães, Carlos César ter atacado o líder social-democrata a propósito do caso de Tancos, dizendo que pretende sentenciar quem ainda não foi julgado, como o ex-ministro Azeredo Lopes, e que calunia quem nem sequer é suspeito.

Ainda antes da ida para a rua, Rio respondeu no Twitter: "Santos Silva regressou ao seu estilo mais trauliteiro, ao jeito de "gosto de malhar na direita" e que, sem contar "com a questão da proliferação dos próprios familiares em cargos públicos", o ministro "baixou para o nível de Carlos César".

Quem dá mais?

Numa esplanada com vista para o mar, a abordagem é a do costume, dispensando apresentações - "quer um lápis?". De mesa em mesa, o candidato distribuí o único brinde que tem para oferecer esta campanha. "Hoje em dia ninguém dá nada a ninguém, eu sou uma exceção, dou um lápis."

Em bicos de pés, um menino arrisca pedir mais um lápis. Rio passa-lhe uma pequena reprimenda. "Queres outro? Já te dei dois, este é o terceiro. Eu já te topo à distância. Ainda por cima tens uma camisola vermelha." Já a correr dali para fora, o rapaz justifica: "Eu sou do Benfica".

Rio dá, mas Rio não compra. Pelo menos é a queixa de quem vende produtos artesanais num quiosque por onde o candidato passou - "Não compra nada!".

A arruada laranja não reuniu muitos apoiantes na Figueira. É nem se pode dizer de quem via a caravana passar que eram poucos, mas bons. Pelo menos para o PSD.

"Estou desconfiado que não vão votar em mim... E é importante, é quase único, são tantos a votar...", arrisca Rui Rio face à cara de poucos amigos de quem acaba de ser abordado a meio de um gelado.

Outro caso de Isac Loureiro, ex-presidente de uma junta de freguesia pelo Partido Socialista, que promete "votar no PS nem que seja de ambulância, ou de olhos fechados." Não ficou sem resposta: "Se eles continuam no Governo, qualquer dia ainda tem de ir de padiola", respondeu

Mesmo de quem já diz ter votado PSD nestas eleições legislativas, como é o caso de um emigrante, que votou por correspondência em Paris, fica um conselho: "não fale muito de Tancos que os tanques de guerra ainda cá vêm".

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