Sócrates sai em defesa de Costa no caso de Tancos e ataca o MP

Ex-primeiro-ministro escreveu artigo de opinião em que afirma que há motivações políticas para o conhecimento da acusação de Tancos em plena campanha eleitoral.

José Sócrates escreveu, este domingo, um artigo de opinião para o semanário Expresso em que sai em defesa de António Costa e ataca o Ministério Público por se ter conhecido a acusação de Azeredo Lopes no caso de Tancos em plena campanha eleitoral.

"Para ir direto ao assunto, considero que a apresentação da acusação judicial de Tancos tem uma evidente e ilegítima motivação política. Não só pelo momento escolhido - no meio da campanha eleitoral -, mas, principalmente, pela forma como o Ministério Público (MP) orientou a sua divulgação política", começa por escrever José Sócrates num texto dividido em seis pontos.

Para o antigo primeiro-ministro, o momento escolhido pelo MP para divulgação da acusação não é inocente e desvaloriza o argumento utilizado de que teria de ser agora porque havia um prazo de prisão preventiva prestes a chegar ao fim.

"Acresce que, com tanto tempo para investigar e acusar, é difícil encontrar razões para o não terem feito antes da campanha. O que resta, pelas regras da experiência comum que tanto gostam de invocar, é que queriam que a acusação tivesse exatamente o efeito político que teve", explica o ex-líder do PS.

Mais à frente, no quarto ponto do texto, José Sócrates refere-se diretamente a Rui Rio, que diz ter feito "o momento mais singular de toda a campana", e a António Costa, cuja atitude, perante o ataque do oponente do PSD, classifica de prudente.

"O ataque ao primeiro-ministro pode ser político, mas é baseado no julgamento prévio do antigo ministro da Defesa. Em boa verdade, o que fez foi condenar sem ouvir a defesa e sem esperar pelo veredicto de um juiz", afirma o antigo primeiro-ministro.

No final do texto continuam as críticas à justiça. O ex-líder do PS refere o caso de Tancos como o quarto capítulo de uma história que começou com Sócrates e o caso Freeport em 2005, sublinhando que a violação do segredo de justiça é crime.

"Tudo isto, evidentemente, devidamente coberto pelas televisões, avisadas com antecedência. A violação do segredo de justiça é um crime que o Estado reserva para si próprio. É isto, e julgo que não é preciso fazer um desenho", acrescenta José Sócrates.

Patrocinado

Apoio de

Patrocinado

Apoio de