Transição e não revolução. O plano do escolhido por Costa para relançar a economia

António Costa e Silva explicou, em entrevista à TSF, o que ambiciona para o momento de recuperação do país, com uma aposta forte na modernização dos serviços e empresas para que Portugal supere e aproveite este momento para crescer.

Uma transição, sim. Uma revolução, não. Depois de ser chamado por António Costa a São Bento no dia 24 de abril, foi no dia da Revolução dos Cravos que António Costa e Silva começou a delinear o plano de recuperação da economia portuguesa, com o intuito de proteger a economia e empregos a curto prazo e de tornar a economia mais forte e preparada a longo prazo.

O homem escolhido pelo primeiro-ministro para liderar a missão do day after é líder da Partex, apaixonado por poesia e incapaz de levantar a voz para impor ideias, mesmo que seja a um membro do Governo. "Nunca levanto a voz, fazer ruído e levantar a voz é um argumento dos fracos", acredita.

Agora que Portugal foi atirado para mais uma crise devido à pandemia mundial da Covid-19, Costa e Silva já definiu os principais focos do programa, nomeadamente o investimento no SNS, na transição digital, na modernização de infraestruturas e no apoio às empresas.

O líder da Partex aponta o investimento na Saúde como uma "questão emblemática" e fundamental para o país, apesar de ter havido uma "resposta extraordinária" de várias instituições - dos partidos, ao Governo e ao Presidente da República -, mas principalmente do SNS.

Ainda assim é preciso apostar mais na qualificação das pessoas, na existência de mais recursos humanos e na preparação do SNS para possíveis epidemias. De fora não podem ficar, alerta Costa e Silva, os centros de investigação, nem as empresas que trabalham nesta área.

Uma aposta nos mercados?

E na visão do paraministro as empresas são imperiais para um país que quer seguir em frente e é preciso apoiá-las desde já.

Costa e Silva lembra que há fundos a chegar da União Europeia e que a distribuição deste dinheiro tem de ser muito bem feita e deve estar preparada o quanto antes. O gestor acredita que deve até ser criado um portal na Administração Pública que, em nome da transparência, indique para onde é que o dinheiro vai e como está a ser aplicado.

Há várias ideias em cima da mesa: a criação de um fundo público, de um banco promocional ou uma revolução para criar um mercado de capitais significativo no país são algumas das hipóteses apresentadas pelo homem escolhido por António Costa.

"Os mercados são máquinas fantásticas de inovação, competição e criação de novas ideias, mas isto tem de ser combinado com o Estado, que tem de ser regulador, e nesta fase interventor no sentido de capitalizar as empresas", enaltece Costa e Silva, apontando este como um dos desafios do futuro, sublinhando que "as empresas estão sempre estranguladas" e se houver um mercado de capitais, as empresas serão cotadas e haverá "sistema financeiro e económico mais saudável".

Transição digital tem de chegar a todo o país

Sobre a transição digital, Costa e Silva admite que não é um exemplo, mas revela que este período levou a uma adaptação.

"Nós temos de mudar a nossa abordagem em relação às pessoas, não podemos prescindir das pessoas e temos de olhar para as pessoas dos vários setores e qualificá-las e as competências digitais são fundamentais", explica, nomeadamente na Administração Pública onde acredita que esta transição é imprescindível.

"O país tem um problema recorrente e estrutural de produtividade e podemos aumentar muito a produtividade com as competências digitais", realça, sublinhando que estas competências devem chegar ao interior e às pequenas e médias empresas.

As competências digitais devem ainda chegar às escolas com rapidez, com Costa e Silva a defender a fibra ótica a "todo o país" para travar as desigualdades de acesso que esta crise veio enaltecer.

Costa e Silva recorda que é o Governo responsável pelas negociações e pelo plano final, sendo este programa apenas uma ajuda ao país e às ideias de recuperação.

Povo português é "extraordinário" nas adversidades e "medíocre" no pós-crise

"O povo português é absolutamente extraordinário a responder às situações de anormalidade, reinventa-se, improvisa, é capaz de ser criativo, depois quando regressamos à normalidade somos muito medíocres e é isso que nos perde", afirma Costa e Silva, frisando que essa atitude devia ser transformada no pós-crise.

"Era bom que toda a capacidade que demonstrámos na resposta à crise se mantivesse para conseguir transformar a economia", considera o paraministro.

* Costa e Silva entrevistado por Ricardo Alexandre

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