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Numa "semana decisiva", o PS quer "convergir todos os esforços" para que o partido "ganhe as eleições e Costa seja de novo primeiro-ministro de Portugal". Foi Santos Silva que o disse, no comício de Matosinhos, no qual os socialistas foram recebidos, como já vem sendo tradição, numa casa cheia.
O cabeça de lista do PS pelo círculo Fora da Europa seguiu as pisadas de Miguel Alves e Carlos César e tornou-se no terceiro, em três dias, a aparecer em defesa de Costa e num ataque à direita, mas não só, até porque houve farpas ao Bloco.
Primeiro houve um ataque de Santos Silva a Cristas e depois a Rio, mas uma coisa é certa: o líder socialista continua sem precisar de falar dos partidos à direita para ter de se defender. De vez em quando, apenas uma alusão ao diabo por parte de Costa.
Belas teorias e um afundar do debate político
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Quando é para apontar o dedo à direita vale tudo e por isso nem faltou uma pequena utilização das sondagens. "Assunção Cristas parece querer afundar o nível do debate político democrático em Portugal, mas é evidente para todos - basta olhar para as sondagens - que quem se vai afundar é ela própria com o sufrágio das portuguesas e dos portugueses", atirou Santos Silva.
Já Rui Rio, diz, "gosta de produzir belas teorias". Santos Silva recorda vários episódios em que acusa o líder do PSD de dar o dito por não dito e questionou se o país pode "confiar numa pessoa assim".
O repórter Miguel Midões resume os pontos essenciais da intervenção de Santos Silva
"Em maio ou junho do ano passado, quando foi necessário que todos os partidos políticos do Parlamento dissessem com clareza o que achavam que país estava em condições de despender na despesa pública dos anos subsequentes, disse uma coisa num dia e no outro dia disse que afinal nem tinha dito o que tinha dito e no outro dia disse que não tinha dito o que tinha dito para desdizer o que disse", referiu Santos Silva, juntando ainda as "férias" durante a greve dos motoristas à lista de críticas.
Agora, prossegue, "fez belas considerações sobre a necessidade de usarmos elevação quando tratamos de questões de justiça", contudo "estava à espera da primeira oportunidade para desfazer a sua própria teoria".
Pouco antes, Santos Silva tinha dito que "as questões judiciais se resolvem nos tribunais e as questões políticas no Parlamento, na política", reforçando que na política "há um nível de degradação da linguagem política, de ataque, de calúnia, de ofensa pessoal que degrada a democracia".
E se à direita as armas estavam apontadas, havia também um recado para o Bloco de Esquerda, apesar de durante o discurso ter assegurado que o PS pretende continuar a dialogar à esquerda.
"Aqueles que o que querem fazer propor é que Portugal gaste 30 mil milhões para nacionalizar empresas, aqueles que dizem que isso das contas certas não interessa a ninguém... esses não podem ter um poder desmedido, não podem ter uma influência desmesurada na própria legislatura", realçou.
Rio abaixo à procura de alternativas
Seguiu-se Costa, que encerrou os discursos no comício de Matosinhos, depois de ter regressado às ações de campanha na rua, desta vez na Praia da Aguda. O líder socialista reiterou a ideia de que quem quer um Governo do PS tem de votar no PS, frisando que quem não pretende os socialistas a governar tem outras opções.
"Desejo que possam ir rio abaixo à procura de uma alternativa em quem possam votar", brincou.
António Costa lembra que quem não quer votar no PS pode ir rio abaixo à procura de alternativas
O secretário-geral do PS pediu mais força que garanta estabilidade e equilíbrio na próxima legislatura e prometeu "nunca dar um passo maior do que a perna".
Entre muitas questões, perguntou se "alguém acredita que sem o PS tínhamos conseguido virar a página da austeridade", mas também deixou uma pequena farpa ao Bloco: "Alguém acredita que sem o PS esta solução política tinha durado quatro anos?"
No fim, e já no meio de muitos aplausos, Costa dirigiu-se a Rosa Mota e voltou a falar de corridas. "Ela não ganhou a maratona aos 30 quilómetros, ela ganhou a maratona quando cortou a meta", frisou, voltando a lembrar que é quilómetro a quilómetro que se conseguem conquistas.

