"Um murro no estômago." A reação do MAI a imigrante morto por inspetores do SEF

Eduardo Cabrita foi apanhado de surpresa com a morte de um imigrante no aeroporto de Lisboa. Os inspetores estão em prisão domiciliária.

A pandemia do Covid-19 é quase notícia única em Portugal e no mundo, mas Eduardo Cabrita confessa que "o murro no estômago" veio da morte de um imigrante ucraniano que alegadamente foi morto por inspetores do Serviço de Estrangeiros e Fronteiras (SEF).

O ministro da Administração Interna recorda que o mais difícil dos últimos dias "foi o saber, no meio disto, daquele caso horrível no aeroporto de Lisboa, sobre a morte de um migrante".

A TSF passou um dia com Eduardo Cabrita, um dos ministros que tem estado mais presente no dia a dia dos portugueses durante esta crise, e o governante revelou que depois desse acidente iniciaram-se "consequências do plano jurídico" e mudanças na "organização do modelo de funcionamento do aeroporto de Lisboa, que não será o mesmo depois disto".

"Portugal é elogiado por decisões que tomamos sobre direitos" e o caso foi um "murro no estômago".

Os inspetores do SEF, com 42, 43 e 47 anos, foram detidos pela Polícia Judiciária por, alegadamente, serem responsáveis pela morte do migrante ucraniano de 40 anos que tentou entrar no país por território nacional no dia 10 de março. Depois do primeiro interrogatório judicial, ficaram em prisão domiciliária.

De acordo com o mandado de detenção revelado pela revista Sábado, um dos vigilantes da empresa de segurança do Centro de Instalação Temporária do aeroporto terá ouvido gritos e o som de pancadas. Quando dois seguranças se dirigiram e entraram na sala, um dos inspetores terá dito "isto aqui é para ninguém ver".

Algum tempo depois, um dos inspetores reforçou "agora ele está sossegado" para os vigilantes, enquanto outro acrescentou: "Hoje já nem preciso de ir ao ginásio."

O imigrante acabou por ser encontrado na sala, cerca de oito horas depois, mas acabou por, pouco depois, ser dado como morto.

* Declarações durante reportagem do jornalista Filipe Santa-Bárbara, que acompanhou o MAI durante um dia

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