"A exigência é amiga dos mais desfavorecidos." Nuno Crato avalia o relatório PISA

Nuno Crato analisou na TSF o relatório PISA de 2019, divulgado esta terça-feira, e deixou alguns alertas.

Portugal é único país da OCDE que nos últimos 18 anos apresentou melhorias significativas nas aprendizagens da leitura, matemática e ciências. O antigo ministro da Educação Nuno Crato sublinha que os resultados são fruto do empenho de alunos e professores, mas também das políticas de educação.

Ouvido na Manhã TSF, Nuno Crato mostrou uma alegria contida. "Eu diria que estamos com resultados mistos. Podemos estar a começar uma trajetória como a da Finlândia ou podemos continuar o crescimento apesar do ligeiro soluço deste ano", afirma.

O ex-ministro explica o trajeto do país escandinavo. "Em 2002, a Finlândia tinha uma política rigorosa, um caso modelo, mas desde essa altura a Finlândia tem vindo sempre a baixar, o relatório PISA sublinha isso. O país adotou políticas de desinteresse pelo currículo, os alunos passaram a construir os seus próprios currículos, deixou relaxar a avaliação, houve menos interesse pelos resultados, etc. Tudo isto tem dado resultados muito negativos."

O relatório mostra que as desigualdades socioeconómicas de algumas famílias continuam a refletir-se negativamente nos resultados dos alunos e agravaram-se desde 2015.

Para Nuno Crato este dado é preocupante: "A exigência é amiga dos mais desfavorecidos. Se tivermos um ensino mais exigente, com metas cognitivas mais claras, os mais desfavorecidos lucram, porque os outros têm vários apoios." Apenas 2% dos alunos desfavorecidos conseguem chegar a níveis de topo, por exemplo, na leitura e expectativa de concluir um curso superior é igualmente baixa.

Os resultados a ciências pioraram e o professor catedrático apresenta uma possível explicação para esses resultados: "Ciências foi a única das três áreas deste PISA que não foi avaliada em exame."

"Portugal é um dos países onde os alunos mais valorizam a nota. Sabendo que existe uma avaliação com consequências empenham-se mais do que sabendo que essa avaliação não tem consequências." Afirmou Nuno Crato concluindo "Os resultados mostram que Portugal conseguiu algo muito difícil, mas há vários alertas que se mantêm."

O PISA é um estudo feito a cada três anos a alunos de 15 anos que avalia até que ponto os estudantes têm competências e habilidades essenciais para uma participação plena na sociedade.

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