"A Siri dos médicos." Startup portuguesa cria assistente virtual para monitorizar saúde dos doentes

Além de evitar a deslocação dos doentes ao hospital, o objetivo passa também por libertar os médicos para outras tarefas, numa altura em que os hospitais se deparam com falta de meios.

Uma startup portuguesa desenvolveu um projeto de assistente virtual inovador que monitoriza, à distância, o estado de saúde dos doentes. Trata-se de um software com ADN português e que já está em curso em seis hospitais do país.

À TSF, Eduardo Freire Rodrigues, médico e diretor-executivo da Uphill, a startup responsável pelo projeto, explica que o assistente virtual avalia, todas as semanas, o estado de saúde dos pacientes e alerta as equipas médicas, se houver sinais de alarme.

"Um doente que, tipicamente, só seria visto daí a seis meses e que iria agudizar [a doença] neste período, iria utilizar o serviço de urgência já numa fase mais grave, assim, é detetado e identificado precocemente. Os doentes prioritários são estratificados, é antecipado este risco de hospitalização, e é marcada uma consulta automaticamente após a geração de um alerta que é visto pelas equipas clínicas", descreve Eduardo Freire Rodrigues.

Um dos hospitais a participar no projeto é o Hospital da Cruz Vermelha, onde estão a ser monitorizados entre 150 a 200 doentes com insuficiência cardíaca.

O responsável da startup sublinha que, deste modo, tem-se conseguido evitar hospitalizações que, neste tipo de doença, tendem a ser prolongadas e dispendiosas.

"[O doente] não precisa de ter equipamento absolutamente nenhum à exceção de um telemóvel ou um telefone. Isto é totalmente diferente daquilo que é a telemonitorização invasiva, como nós costumamos chamar, onde é preciso levar equipamentos para casa dos doentes e há muitos dispositivos médicos. Muitas vezes, os doentes esquecem-se de utilizar os próprios dispositivos e, desta forma - muito leve para o doente mas também para os serviços de saúde -, nós conseguimos obter estes dados subjetivos daquilo que é a perceção do próprio sobre os seus sintomas, e dar indicações diretas às equipas em saúde sobre quais são as ações necessárias para que estes doentes deixem de ter aquela agudização, agravamento de sintomas ou mesmo da doença, que poderia repercutir-se numa hospitalização. E, tipicamente, as hospitalizações nesta patologia são longas e consumptivas de recursos", refere.

Além de evitar a deslocação dos doentes ao hospital, o objetivo passa também por libertar os médicos para outras tarefas, numa altura em que os hospitais vivem num contexto de falta de meios.

"É um consumo de recursos profissionais e técnicos muito significativo dos hospitais, está a ser automatizado e está a poupar, no fundo, o tempo dos profissionais de saúde", nota Eduardo Freire Rodrigues.

Para lá do tratamento da insuficiência cardíaca, no projeto que está a ser aplicado no Hospital da Cruz Vermelha, o programa inclui outras doenças - como "cancro colorretal e o cancro da mama" - tratadas noutras unidades de saúde. A meta do projeto é crescer e chegar aos mil doentes abrangidos.

Até ao momento, o assistente virtual realizou cerca de 330 ações automatizadas - ou seja, 330 tarefas que os médicos não tiveram de executar -, tendo sido identificadas agudizações e gerados pelo menos 25 alertas.

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