Alga invade Ria Formosa. Várias espécies em perigo

É verde, propaga-se facilmente e está a invadir os fundos arenosos da Ria Formosa. O seu alastramento está a colocar em perigo a pesca de várias espécies. O lingueirão é a mais ameaçada.

A Caulerpa prolífera começou a aparecer há alguns anos na Ria Formosa mas ultimamente com maior intensidade. Tem sido estudada por investigadores da Universidade do Algarve que pretendem conhecer o seu comportamento. Rui Santos, investigador do Centro de Ciências do Mar (CCMAR), explica que o lingueirão é a espécie mais atingida porque "desenvolve-se e é apanhado em fundos sem vegetação". A caulerpa invade esses fundos e tem uma característica especial. "O sedimento fica sem oxigénio", afirma o biólogo marinho. Desta forma, nada cresce naqueles locais.

Os mariscadores são os primeiros a observar e a denunciar o declínio da pesca do lingueirão. "Aquilo vai devastando sobretudo as partes onde são apanhados os lingueirões", lamenta.

José Florêncio, o dirigente da cooperativa de pesca Formosa, dá conta de que "onde a alga se instala o terreno fica todo podre, não há nada que nasça lá por baixo".

"É uma grande preocupação para quem trabalha na Ria Formosa", garante. O seu receio é que a alga possa um dia invadir os viveiros de amêijoas. "Se ela modificar a genética e for para os viveiros, então é um Deus nos acuda!".Por enquanto ainda não há motivos para tanto alarme, a caulerpa não consegue proliferar nos viveiros de amêijoas.

O professor da Universidade do Algarve Rui Santos avança também que, enquanto nas pradarias marinhas nascem e desenvolvem-se algumas espécies de peixes, nas zonas invadidas por esta alga isso não acontece. "Por exemplo, espécies de sparídeos, de sargos e outros deste tipo, que são peixes do ponto de vista económico importantes, não aparecem na caulerpa", conta.

Os investigadores estudam ainda a possível mudança da biodiversidade e a cadeia de alimentação, e já chegaram à conclusão que, por exemplo, um crustáceo que faz parte da alimentação dos cavalos-marinhos (uma espécie em perigo de extinção na Ria Formosa) também não nasce nas zonas onde existe a alga. Estes estudos ainda estão a decorrer mas julga-se que a caulerpa prolífera está a conseguir alastrar-se devido ao aumento da temperatura das águas.

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