Alunos do Técnico vão passar a ter aulas de humanidades. "Onda" deve chegar a outras faculdades

Os estudantes do Técnico terão, já a partir deste ano, um reforço da formação, com aulas nas áreas de humanidades, ciências sociais e artes, facultadas por outras instituições da Universidade de Lisboa. O presidente do Conselho de Reitores das Universidades Portuguesas considera inevitável que esta onda se propague a outras faculdades do país.

No próximo ano letivo, no Instituto Superior Técnico, os cursos de primeiro ciclo serão complementados com uma componente humanista. Os alunos vão passar a receber formação nas áreas de humanidades, ciências sociais e artes.

Alexandre Francisco, vice-presidente do Técnico para assuntos académicos, explicou à TSF que esta mudança foi alvo de uma reflexão profunda, que começou em 2018. O representante do Instituto Superior Técnico aclara que esta análise demonstrou que, apesar da nota positiva, em geral, os recém-formados revelavam lacunas na formação: "Muitas vezes, não tinham estas competências, teriam de as adquirir depois."

"É importante um engenheiro, seja de que área for, ter conhecimentos, ou ter pelo menos algumas competências, na área das artes e das ciências sociais, para aplicar depois na prática", argumenta Alexandre Francisco.

Disciplinas como Filosofia e História da Ciência podem, por isso, passar a fazer parte do plano curricular dos futuros engenheiros. "A ideia é dar a formação dessas soft skills, contando com as outras escolas da Universidade de Lisboa. Os alunos são convidados a frequentar disciplinas oferecidas pela Faculdade de Belas Artes, pela Faculdade de Letras, pela Faculdade de Psicologia, e a aproveitar o facto de estarem inseridos na Universidade de Lisboa."

A componente humanista será transversal a todos os cursos de primeiro ciclo e proporcionará ferramentas para que os profissionais formados no Técnico possam dar resposta aos desafios que lhes são colocados, de forma mais adequada e contextualizada. As disciplinas são oferecidas em várias faculdades da Universidade de Lisboa.

A ideia é bem vista pelo presidente do Conselho de Reitores das Universidades Portuguesas, que defende que trabalhar as competências sociais é o futuro. António Sousa Pereira considera fundamental que os estudantes terminem o ensino superior como cidadãos socialmente integrados.

Não causa espanto em Sousa Pereira que iniciativas como a do Instituto Superior Técnico, que também já acontecem noutras universidades portuguesas, passem a fazer parte do dia-a-dia dos estudantes. "Vai ser o normal, e, principalmente, numa altura em que vai tender para que cada estudante desenhe o seu próprio currículo", assinala o representante das universidades portuguesas.

Trata-se de uma "boa" iniciativa, e é "fantástico" que se comece a alastrar e a praticar em mais instituições, sublinha António Sousa Pereira. Apesar de não ser uma competência do Conselho de Reitores, e antes matéria ao serviço da autonomia das entidades, o presidente do Conselho de Reitores das Universidades Portuguesas realça a importância de fornecer uma componente humanista aos cursos mais técnicos: "Começa a ser muito valorizado por agências, quer nacionais, quer internacionais, por isso começa a gerar-se uma onda que, a certa altura, se torna imparável e que se começa a difundir."

Para o presidente do Conselho de Reitores e reitor da Universidade do Porto, também o voluntariado em organizações estudantis deve ser fomentado. Aliás, António Sousa Pereira confirma o destaque e a adesão crescentes: "Têm-se multiplicado as iniciativas e tem aumentado muito o número de estudantes envolvidos."

A atividade de voluntário introduz uma componente "muito importante" na formação e apresenta-se como uma "oportunidade de conviver com escalões sociais com os quais habitualmente não estão a lidar", conclui o responsável.

Começa esta sexta-feira a primeira fase de candidaturas ao Ensino Superior, que se prolonga até 20 de agosto

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