Amor de mãe, mulheres nuas e guitarras. Um hino às tatuagens dos ex-combatentes

Já passaram 45 anos desde o 25 de Abril, mas as memórias da guerra colonial continuam gravadas na pele de muitos antigos combatentes. "Guerra na Pele" pretende eternizar as tatuagens de guerra, numa homenagem a quem lutou no ultramar.

Nos 15 anos que dedicou a estudar as tatuagens da guerra colonial, João Cabral Pinto encontrou de tudo: corações com amor de mãe, sereias, mulheres nuas, símbolos dos comandos e até o rato Mickey.

O autor do livro "Guerra na Pele", que é lançado esta tarde na Biblioteca Natália Correia, na freguesia de Carnide, em Lisboa, considera que é importante registar o fenómeno para que as gerações futuras não esqueçam: "Para que um dia mais tarde não se ouça falar apenas e haja um testemunho, para ver o que isto foi."

No total, o autor fez 230 entrevistas a antigos combates. Da pesquisa, que durou mais de uma década, João Cabral Pinto salienta as várias imagens e frases tatuadas, mas também as diferentes razões de quem eternizou no corpo as memórias da guerra.

"Muitos dos homens que entrevistei referem que fizeram as tatuagens por amor, contestação, desespero, patriotismo, sendo também um ritual de iniciação militar informal", salienta.

João Cabral Pinto admite que as entrevistas foram intensas, muito variadas e destaca um traço em comum a todos os testemunhos: "O geral desagrado em relação às suas vidas furadas; todos os homens referiram que foi uma guerra em vão."

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