Ano escolar por semestres diminui stress dos alunos e ajuda professores

Investigação a escolas portuguesas que mudaram o paradigma do ano escolar encontrou efeitos positivos.

Um estudo promovido pela Direção-Geral da Educação e feito por investigadores do Instituto de Educação da Universidade de Lisboa dá nota positiva às escolas e agrupamentos de escolas que mudaram o seu calendário escolar e transformaram os habituais três períodos em dois - os denominados "semestres".

As conclusões referem que a experiência, que chegou a algumas dezenas de escolas do país que optaram pelo sistema alternativo, permitiu uma maior "articulação entre disciplinas", "facilitando a flexibilidade na gestão do currículo".

Foram ainda "facilitadas as melhorias no processo de ensino-aprendizagem", apesar de não ser o único caminho possível para que estas aconteçam.

Por outro lado, houve uma diminuição do stress dos alunos que passam, na prática, por menos momentos de avaliação, aumentando o "tempo e a confiança dos professores para introduzirem mudanças nos processos de avaliação".

A organização por semestres também "contribuiu para o bem-estar dos professores" e "permitiu aos alunos fazerem uma melhor gestão entre o tempo de trabalho e de descanso".

Diretores não ficam surpreendidos

O presidente da Associação Nacional de Diretores de Agrupamentos e Escolas Públicas não fica surpreendido com os resultados da avaliação da experiência das escolas que mudaram o seu calendário, sublinhando que sempre disseram que não faz sentido manter o calendário escolar colado aos feriados religiosos que não caem sempre na mesma altura do ano.

Filinto Lima diz que a possibilidade de as escolas terem, se quiserem, um horário semestral nasceu de uma luta, longa, da sua associação, e destaca que esta divisão em dois permite ter dois períodos mais "equilibrados", sem que a duração, por vezes muito curta, do terceiro período fique dependente da data do feriado religioso da Páscoa. "Se a Páscoa é tarde, o terceiro período é tão pequeno que nem dá tempo aos alunos para recuperar as notas", refere.

Manuel Pereira, da Associação Nacional de Dirigentes Escolares, também sublinha o problema da data da Páscoa, que pode ter 40 dias de diferença de ano para ano, fazendo com que o terceiro período tenha, por vezes, um mês de aulas e o segundo quatro meses.

"Nós temos proposto que a exemplo do Natal a interrupção da Páscoa também tenha uma data fixa, deixando de ser necessário acabar com este modelo dos três períodos", conclui o representante dos dirigente para quem o essencial é que as escolas tenham autonomia para escolher, conforme cada caso, a opção por trimestres ou por semestres.

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