"Assédio sexual na rua leva mulheres a pensarem duas vezes no que vestem"

Associação Portuguesa de Apoio à Vítima divulga ferramentas para que quem assiste a casos de assédio ajude a travá-los.

Quase 78% das mulheres dizem já ter sofrido assédio sexual em locais públicos, mas apenas 25% afirma que alguém a ajudou nessa situação. Os resultados são de um estudo internacional, mas a Associação Portuguesa de Apoio à Vítima (APAV) acredita que a situação portuguesa não é muito diferente e associa-se, a partir desta sexta-feira, a uma campanha internacional contra o assédio sexual em locais públicos.

Em nome da APAV, Daniel Cotrim afirma que este é um problema a que a maioria já nem liga, de tão habitual e por estar enraizado na cultura de várias sociedades, incluindo na portuguesa.

A esmagadora maioria das vítimas deste assédio sexual são mulheres ou raparigas e a APAV recorda situações como os piropos ou o assédio em transportes públicos, "algo recorrente e de que muitas mulheres se queixam, falando em 'alguém' que se vai encostando a elas...".

Daniel Cotrim explica que há cinco "ferramentas" para travar este assédio em locais públicos e são essas ferramentas que pretendem divulgar junto das vítimas e, sobretudo, das testemunhas que por norma veem, ouvem, mas não fazem nada.

Perguntar as horas

A primeira forma é "chamar a atenção do assediador para aquilo que está a fazer, dizendo-lhe que deve parar, de forma à vítima sentir que está acompanhada", mas, em alternativa, a segunda "manobra" possível será intervir de forma mais subtil perguntando, por exemplo, as horas à mulher.

Ou seja, um simples desvio da atenção do assediador que, segundo a APAV, pode ser eficaz.

As outras três formas de travar o assédio são chamar um segurança ou um polícia para intervir e registar aquilo que aconteceu, anotando as horas e os factos, bem como encaminhando a vítima para entidades de apoio.

"Na grande maioria dos casos, as vítimas sentem-se mais apoiadas se forem apoiadas por quem as viu naquele momento", diz Daniel Cotrim, para quem o grande problema do assédio é "não existirem testemunhas... ou melhor: todos veem mas a maioria não se quer envolver e finge que não vê".

Para a APAV, o assédio sexual é diário e atinge as mulheres com "piropos desagradáveis que elas ouvem vezes sem conta" e que "leva as mulheres a pensarem duas vezes no que vestem com medo de causarem algum incidente".

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