Autarca e partidos questionam ICNF sobre caça de 540 animais na Azambuja

Foram abatidos centenas de veados e javalis numa única caçada no último fim de semana na Azambuja.

O presidente da Câmara Municipal da Azambuja já falou com o ministro do Ambiente sobre o abate de 540 animais numa montaria na Zona de Caça Turística de Torre Bela.

Em declarações à TSF, Luís de Sousa diz que o ministro João Pedro Matos Fernandes se mostrou "alarmado" com a situação e assegurou que "vai fazer as averiguações que tem que fazer".

A Quinta da Torre Bela é uma propriedade privada onde existe uma zona de caça turística particular em funcionamento durante todo o ano. No entanto, ressalva Luís de Sousa, este parece ser "um caso inédito".

"Uma montaria para matar assim tantos animais... Ficamos admirados como é que isto pode acontecer", comenta o autarca.

Apesar de não se caçador, o autarca lembra que no caso de coelhos ou perdizes, por exemplo, há um número limite de animais que podem ser abatidos, pelo que não sabe dizer se a ação decorreu dentro da legalidade. "Foi precisamente essa pergunta que fiz ao senhor ministro e ao ICNF", o Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas, nota.

Também o PAN tem "sérias dúvidas" acerca da legalidade da ação. E "se for legal, está na altura de rever este modo de caça que é uma herança dos tempos medievais", defende o deputado André Silva.

O partido já questionou as entidades competentes, nomeadamente o ICNF e Governo, para "perceber melhor os contornos desta situação" e exigir responsabilidades.

A deputada do PAN Inês Sousa Real acrescenta, em declarações à TSF, que "deve ser inspecionado o que se está a passar nos demais espaços de caça turística que existem no país" e defende o retomar do debate sobre a caça em Portugal.

O PSD pediu a audição do presidente do ICNF na comissão parlamentar de Agricultura e Mar num requerimento entregue esta segunda-feira na Assembleia da República, salientando a "onda de contestação a nível nacional e internacional" que está a gerar a morte de mais de 500 animais na Quinta da Torre Bela.

No Fórum TSF, a deputada social-democrata Emília Cerqueira fala "de um autêntico massacre". Não se trata de uma atividade de caça "normal" - à qual o PSD não se opõe, nota. É preciso apurar "se esta é uma montaria autorizada, em que termos foi autorizada e que pressupostos houve para que esta atividade fosse autorizada", defende.

Uma vez ouvido o ICNF, os sociais-democratas não descartam a hipótese de ouvir o ministro do Ambiente, conforme os esclarecimentos da autoridade fiscalizadora.

Por sua vez, o deputado do CDS Nuno Melo defende que faz sentido adequar a lei "cirurgicamente" para impedir casos concretos, mas lembra que "uma coisa é alterar a lei da caça, outra é atacar a caça como um todo e querer-se acabar com a caça em Portugal".

Também o PS defende que "um mau exemplo" como este não deve "extrapolar-se para o fim das montarias ou para o fim da caça", o que, nas palavras do socialista Pedro do Carmo "seria grave para o equilíbrio do ecossistema.

No Twitter, a candidata à presidência da República do Bloco de Esquerda Marisa Matias condenou o ato que apelida de "terrível e inaceitável". "Este nível de crueldade deve envergonhar quem a permitiu e punir quem a praticou", escreveu.

O ICNF garante que a zona de caça turística da Quinta da Torre Bela tem um Plano de Ordenamento e Exploração Cinegético que "prevê a exploração do veado e do javali pelos métodos previstos na lei", incluindo através das chamadas montarias.

Tendo em conta os números de animais abatidos divulgados pela comunicação social, o instituto "deu início a um processo de averiguações junto da Entidade Gestora da zona de caça turística no sentido de apurar os factos ocorridos e eventuais ilícitos nos termos da legislação em vigor".

Notícia atualizada às 13h35

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