Aves do Montijo preocupam ornitólogos e biólogos. Ordem teme abates

Cegonhas e flamingos podem representar perigo para as aeronaves.

O aval da Associação Portuguesa do Ambiente ao aeroporto do Montijo, embora favorável, é acompanhado de um pacote de 200 medidas compensatórias, sendo que muitas delas estão relacionadas com as aves aquáticas do estuário do Tejo.

A construção do novo aeroporto vai afetar uma área de milhares de hectares onde estas aves se refugiam e alimentam. À TSF, Domingos Leitão, da Sociedade Portuguesa para o Estudo das Aves, admite o recurso aos tribunais para travar o aeroporto, em conjunto com outras ONGs ambientalistas.

"Se houver boas decisões administrativas e políticas, não precisamos de recorrer à justiça, que tem muito que fazer neste país. Não podemos aceitar que um processo destes avance com estas ilegalidades do princípio ao fim", atira o representante da SPEA.

As críticas também chegam da Ordem dos Biólogos, que pensa que este aeroporto é um erro estratégico e receia que as medidas de mitigação não sejam suficientes. À TSF, José Matos lembra que além do risco para as aves, há também fatores de perigo para os aviões devido à presença de aves migratórias de grande porte, como cegonhas e flamingos.

"Vamos imaginar que há uma motivação de proteção das aves mas um dia, passados um ou dois anos, há uma aeronave que se vê confrontada com um bando que lhe voa à frente e que a põe em risco. Não houve problema, mas poderia ter havido", coloca.

A pergunta que se segue é: o que vão fazer? E a resposta vem do próprio. "Por razões de segurança vão abater todas as aves daquela zona. Tão simples quanto isto, é um risco que não podem correr com uma aeronave com centenas de pessoas lá dentro."

O biólogo lembra também a ocorrência de migrações e aquelas que podem ser tentativas de afugentar as aves, lembrando que em qualquer dos casos "o impacto para a região e para a avifauna vai ser muito maior".

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