"Especulação imobiliária" leva câmara do Porto a desistir de comprar casa de Almeida Garrett

O proprietário reclama um valor superior a quatro milhões de euros pela casa onde Almeida Garrett nasceu e outros dois edifícios confinantes, quando o serviços municipais avaliaram os três imóveis em cerca de um milhão e meio de euros.

A Câmara do Porto decidiu não vai avançar com a compra da casa onde nasceu Almeida Garrett e e outros dois edifícios confinantes, devido ao preço exigido pelo proprietário.

A câmara explicou que "o proprietário reclamava um valor superior a quatro milhões de euros", apesar do valor dos imóveis ficar 34% abaixo do montante pedido pelo dono.

Numa nota enviada enviada à TSF, a autarquia esclareceu que "os serviços municipais analisaram o valor destes imóveis, tendo esta estimativa ficado bastante abaixo (cerca de 34%) do montante pedido pelo proprietário. Ou seja, o valor ultrapassava largamente o valor da avaliação dos três imóveis (que se cifrava em cerca de 1,5 milhões de euros), não sendo por isso possível avançar com essa aquisição".

Um vez que tinha direito de preferência, a autarquia tinha já demonstrado interesse pelo número 37 da Rua Dr. Barbosa de Castro, no centro histórico do Porto, onde o escritor Almeida Garrett nasceu e viveu os cinco primeiros anos de vida.

Apesar de a casa estar devoluta e de ter sido destruída por um incêndio em março de 2019, a câmara manteve a intenção de comprar o imóvel e transformá-lo no Museu do Liberalismo, até ser confrontada com a proposta de compra do proprietário.

A proposta de aquisição do imóvel foi apresentada pela vereadora da CDU, Ilda Figueiredo, e aprovada por unanimidade na reunião do executivo.

CDU considera inadmissível pedir quatro milhões

Em declarações à TSF a vereadora da CDU considera que a casa devia ter sido comprada há mais tempo e lamenta que "especuladores imobiliários não tenham qualquer sensibilidade para a defesa do património".

"Só veem o lucro, o dinheiro, a especulação imobiliária. E pedir por aquilo quatro milhões de euros é inadmissível", criticou a vereadora.

Ilda Figueiredo entende a decisão da autarquia de não avançar com a aquisição do imóvel, já que a cidade do Porto "tem carências imensas e não pode investir ali quatro milhões, só para adquirir paredes e algum terreno, quando o valor atribuído foi de um milhão e meio".

Ainda assim, a vereadora da CDU teme que o edifício acabe por ser transformado num hotel e, por isso, pede à câmara para "não aceitar eventual proposta de transformação daquilo num hotel, como julgo ser essa a provável intenção de quem pede quatro milhões por aquilo".

Ilda Figueiredo defende que a autarquia liderada por Rui Moreira deve "impor condições ao projeto que for apresentado, porque a zona é de interesse histórico e o prédio tem interesse histórico, que deve ser preservado".

Questionada sobre a possibilidade da câmara avançar com uma proposta de expropriação por utilidade pública, a vereadora da CDU não rejeita a hipótese. "Admito que sim. Não sei se os instrumentos legais existentes permitem que isso aconteça ali, com esses objetivos. Mas admito que sim, que a câmara deve avaliar essa possibilidade".

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