Campanha do Facebook contra fake news é "pobre". Algoritmo amplifica conteúdos falsos

Para a professora Inês Amaral, a iniciativa que a rede social lança esta terça-feira e que envolve 42 países no combate a conteúdos falsos tem limitações.

O Facebook lança esta terça-feira com uma campanha de literacia digital em 42 países, incluindo Portugal. O objetivo é ajudar as pessoas a detetar notícias falsas de forma a melhorar a fiabilidade da informação no Facebook.

Nas próximas quatro semanas será pedido aos utilizadores que respondam a três questões sobre o que estão a ler. A investigadora Inês Amaral, professora na Faculdade de Letras na Universidade de Coimbra e especialista em redes sociais, afirma que este pode ser um passo para combater as chamadas fake news, mas considera que a campanha tem lacunas e limitações. "O Facebook pode fazer bem mais do que isso, embora seja evidentemente um passo interessante", advoga a professora, em declarações à TSF.

"A proposta do Facebook parece-me pobre. Não me parece que seja propriamente uma campanha de literacia mediática, mas antes uma forma de propor aos seus utilizadores a identificação de notícias falsas, sendo que os utilizadores não têm contexto para poder perceber o que são efetivamente as notícias falsas."

Inês Amaral destaca que, "entre aquelas três questões que o Facebook coloca, uma delas será na linha de 'como é que esta notícia o faz sentir?', o que "coloca em grande dúvida aquilo que é essencial para o utilizador". Não é pelo facto de uma notícia fazer sentir bem ou mal "que se revela uma notícia falsa ou verdadeira", fundamenta a investigadora.

A investigadora Inês Amaral lembra que as redes sociais também contribuem para notícias falsas, e que a utilização de algoritmos amplifica essa difusão. "Enquanto as próprias plataformas contribuírem para esses contextos enviesados através da estrutura dos algoritmos, com o abandono da cronologia - a timeline chama-se timeline mas já não é uma timeline, é um feed onde as coisas vão sendo despejadas -, continua a haver uma escolha programada. Essas escolhas também facilitam a propagação de notícias falsas."

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