Canábis. Dois anos depois, Infarmed ainda não autorizou descontaminação

A "limpeza" da planta de tudo o que pode prejudicar a saúde ainda não está a ser feita. Laboratório está pronto e em contacto com várias empresas interessadas.

No Campus Tecnológico e Nuclear do Instituto Superior Técnico (IST), em Loures, está tudo a postos para descontaminar a canábis, com recurso a radiação gama. Mas a operação ainda não pode avançar, porque ainda se aguarda a autorização do Infarmed.

Sandra Cabo Verde, investigadora do IST, explica que todos os produtos contêm, na origem, uma determinada quantidade de microrganismos, e a planta da canábis não é exceção: "Devido ao sistema de cultivo, à plantação, à apanha, à chuva, à rega, tudo. E, muitas vezes, para a indústria farmacêutica, essa carga microbiana não é adequada, porque pode levar à contaminação do produto final. Tem de haver um processo que permita reduzir a níveis aceitáveis, em termos sanitários, esses microrganismos. Neste caso, um potencial tratamento é a radiação gama", num processo a que os técnicos chamam "irradiação".

Mas, como a planta da canábis pode ter efeitos no sistema nervoso central, é necessária uma autorização do Infarmed. "Podemos irradiar as outras plantas sem qualquer autorização especial, porque são para produtos de beleza, chás, etc", esclarece Eduardo Alves, diretor adjunto do Laboratório de Aceleradores e Tecnologia de Radiação. "No caso da canábis, tem efeitos psicotrópicos, por isso, precisamos da autorização do Infarmed, que ainda não temos".

Enquanto essa permissão não é dada, o laboratório diz-se pronto e em contacto com várias empresas, a maioria, estrangeiras, que resolveram instalar-se em Portugal, depois da legalização, faz agora dois anos. "Israelita, canadiana,... o cultivo vai ser cá, porque dizem que o nosso clima se adapta perfeitamente. E já têm plantações a crescer. Penso que, durante este ano, começará a haver produção nacional a entrar no mercado", afirma Eduardo Alves.

Até lá, ainda não há produtos à base de canábis nas farmácias portuguesas; e os que se vendem em algumas lojas em Portugal vêm de fora do país, sobretudo da Holanda e de França.

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