Centros de recolha animal cada vez mais cheios desde o fim do abate de animais de companhia

A lei que proíbe o abate de animais abandonados entrou em vigor há três anos. A Ordem dos Médicos Veterinários diz que a nova legislação provocou uma enchente nos abrigos. O Ministério do Ambiente garante que está a resolver o problema.

O bastonário da Ordem dos Médicos Veterinários considera que não se acautelou a sobrelotação dos abrigos, quando foi implementada a lei que proíbe o abate de animais errantes. O ministro do Ambiente admite que a legislação, por si só, não resolve o problema dos animais abandonados e assegura que a questão está a ser resolvida, ainda que possa demorar alguns anos.

João Pedro Matos Fernandes considera que o primeiro passo é saber quantos animais existem em Portugal, porque, de outra forma, vai existir "muita dificuldade em controlar completamente o problema". Uma posição que vai ao encontro do que a Ordem dos Médicos Veterinários já sugeriu ao Governo.

O bastonário Jorge Cid diz que é essencial "fazer um levantamento nacional de todos os animais que há abandonados em todas as associações, para microchipá-los e depois fazer esterilizações em massa de todos esses animais". Jorge Cid perspetiva que, "se houver vontade política e se houver vontade de resolver este assunto, em cinco anos este assunto estará resolvido".

O ministro do Ambiente não consegue "ter uma perspetiva tão otimista" quanto ao prazo de resolução do problema, "enquanto não for concluído o trabalho" que o Executivo encomendou à Universidade de Aveiro, que consiste num censo nacional de animais errantes.

João Pedro Matos Fernandes defende que a estratégia do Governo também passa pela esterilização e pela promoção de campanhas de adoção, uma política que "no próximo ano será mais evidente", mas que já está a ser financiada.

Até lá, o Governo tem no terreno a elaboração de uma cartografia com todos os abrigos de animais que existem, com o objetivo de protegê-los em situações como fogos rurais. Questionado sobre a morte de 14 cães, no mês passado, que estavam num abrigo ilegal em Castro Marim, na sequência de um incêndio, o ministro do Ambiente afirma que estaria a mentir "se dissesse que estão ali [na cartografia] 100% dos abrigos, é impossível fazê-lo."

No entanto, João Pedro Matos Fernandes garante que esse levantamento está a ser robustecido com a ajuda dos municípios, para evitar que situações semelhantes voltem a acontecer.

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