Cibersegurança em Portugal ainda está "na pré-história"

José Tribolet, professor do Instituto Superior Técnico (IST), defende, em declarações à TSF, uma "ASAE dos sistemas informáticos".

Depois de tantos ciberataques que têm existido a empresas e entidades públicas portuguesas, o professor catedrático do IST considera que, de uma vez por todas, tem que haver uma entidade independente que fiscalize e faça a auditoria dos sistemas informáticos. Não basta instalá-los, é preciso acompanhar o seu desenvolvimento ao longo dos anos.

José Tribolet, em declarações à TSF, faz uma comparação: "Na segurança alimentar, por exemplo, há normas rigorosas e temos uma ASAE que faz um trabalho notável", afirma. "Na informática não temos nada disto, ainda estamos na pré-história", lamenta. "Normas técnicas como existem na construção civil, na mecânica, na química, nos sistemas elétricos, na informática, não há nenhumas!", enfatiza.

O professor catedrático do Instituto Superior Técnico e especialista em sistemas de informação faz parte de um grupo de trabalho que, em conjunto com a ordem dos engenheiros e o Ministério da Economia, está a discutir a criação da especialidade em cibersegurança na engenharia." Quando se falar disto no Parlamento vão dizer "lá estão as ordens a tentar limitar o acesso à profissão", antecipa. E deixa a pergunta em jeito de recado: "Ó meus amigos, porque é que não pedem para ser operados ao cérebro por um cirurgião de gatos?", ironiza.

Quando acontece um ciberataque como tem sucedido a tantas empresas portuguesas e agora à TAP, a questão que se põe é se os hackers conseguiram aceder aos nossos dados. José Tribolet não tem dúvidas e afirma que "é preciso as pessoas consciencializarem-se de que os seus dados pessoais já estão na internet".

No entanto, tal situação não quer dizer que, mesmo que os dados bancários acabem nas mãos de um hacker, que a conta possa ser violada. Isso não acontece se a pessoa "tiver os mecanismos de interação com o banco em tempo real", de modo a que a entidade bancária tenha a certeza de que é o próprio indivíduo a realizar a ação.

Os códigos que os bancos enviam para o telemóvel quando se faz qualquer transferência, por exemplo, são uma medida que o especialista considera adequada para evitar surpresas desagradáveis.

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