Consumo de álcool é "desculpabilizado" em Portugal. "As coisas vão de mal a pior"

O álcool é o problema mais grave, mas os portugueses têm novas dependências, como o jogo e as redes sociais.

"A coisas vão de mal a pior em termos de consumo abusivo" de álcool em Portugal, alerta o subdiretor-geral do Serviço de Intervenção nos Comportamentos Aditivos e nas Dependências (SICAD).

"É tão tolerado, tão desculpabilizado que não temos a noção do risco" do consumo excessivo, nota Manuel Cardoso em declarações à TSF. E se não podemos falar ainda de um risco de elevada dependência no país - "mas lá chegaremos", o consumo excessivo de álcool está associado a dois riscos sociais graves: nos casos de violência doméstica e nos acidentes na estrada.

Cerca de 43% das situações de violência doméstica estão relacionadas com o consumo de álcool, lembra o responsável. E "nos últimos três anos estamos a aumentar as mortes na estrada com taxa de alcoolemia acima de 0.5", 60% das quais acima de 1.2, taxa considerada crime.

No que toca à dependência de drogas, "fizemos um grande caminho", mas é fundamental não desinvestir no combate. "Não podemos descansar à sombra da bananeira. Se fizermos isso vão recrudescer velhos problemas ligados às drogas ilícitas, eventualmente não tão graves como nos anos 90, mas vão regressar".

Manuel Cardoso, também presidente do congresso internacional Lisbon Addictions, que arranca esta quarta-feira no Centro de Congresss de Lisboa, aponta ainda novas ameaças no campo das dependências, como o jogo online.

O jogo a dinheiro cria dependência, mas também o jogo recreativo. Ganhar pontos virtuais ou passar para o próximo nível é uma recompensa equiparável ao dinheiro nos casinos online, explica, uma vez que estimula o jogador a continuar a jogar.

As redes sociais são outro novo vício, alerta Manuel Cardoso. "As dependências do Facebook e Instagram já existem e são problemáticas: as pessoas ficam dependentes das repostas que a sua exposição aquela rede social lhe dá".

Neste caso, nota o subdiretor do SICAD "o problema não é quando os estímulos são positivos", mas quando surgem as primeiras críticas ou respostas negativas, quando se perde visibilidade, quando se tem menos 'gostos' do que o habitual.

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