Covid-19: A vitamina D pode ser uma chave?

O Hospital de Santa Maria em Lisboa e o Hospital de São João no Porto estão desde há duas semanas a medir níveis de vitamina D nos doentes com Covid-19. Um grupo de investigadores portugueses procura várias respostas. Quer saber, por exemplo, se a carência de vitamina D torna os doentes mais vulneráveis.

"O parâmetro vitamina D não fazia parte do protocolo dos doentes Covid, mas rapidamente houve uma mobilização para alterarem os protocolos e, portanto, os médicos já começaram a medir os níveis de vitamina D, o que quer dizer que em muito pouco tempo nós vamos ter dados nacionais", revela a professora e investigadora Conceição Calhau da Nova Medical School.

Um estudo publicado há poucos dias pela Universidade de Turim em Itália concluiu que os doentes com Covid-19 mais graves tinham níveis muito reduzidos de vitamina D. E o grupo de investigadores portugueses quer saber se em Portugal também está a acontecer o mesmo.

Há evidências científicas que apontam para uma forte associação da vitamina D ao sistema imunitário. "A deficiência de vitamina D tem sido muitas vezes associada às infeções respiratórias causadas pelo outro vírus, que não o corona vírus, mas o da influenza", afirma Conceição Calhau. Por outro lado, a vitamina D ajuda a regular o metabolismo e a tensão arterial, por exemplo. "É muito curioso que os hipertensos sejam um grupo de risco", nota a investigadora.

Mas a vitamina D terá de facto um papel no combate às infeções respiratórias causadas pelo corona vírus? É o que os investigadores portugueses procuram saber. Mas as dúvidas não se ficam por aqui. Conceição Calhau também quer perceber "se há um padrão genético dos povos da zona mediterrânica que possa também estar a prejudicar a resistência ao vírus" até porque há estudos recentes que mostram que há carências de vitamina D nos povos da Europa do sul, apesar do sol que brinda esses países.

Para procurar todas as respostas, os níveis de vitamina D nos doentes Covid-19 começaram a ser medidos nos hospitais de Santa Maria, em Lisboa e São João, no Porto. Além disso os investigadores vão ter acesso aos estudos sobre os erros genéticos. Os responsáveis pelo projeto de investigação já apresentaram uma candidatura ao financiamento da Fundação para a Ciência e Tecnologia e as primeiras conclusões devem ser conhecidas daqui a mês, mês e meio.

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