D. Manuel Clemente terá colocado o lugar à disposição na conversa com o Papa

Continuidade do cardeal-patriarca de Lisboa no cargo terá sido tema no encontro com o Papa Francisco, esta sexta-feira.

Um dia depois do encontro com o Papa Francisco, numa audiência no Vaticano pedida por D. Manuel Clemente, surgem informações de que o cardeal-patriarca de Lisboa terá dito ao responsável máximo da Igreja Católica que, caso fosse necessário, colocaria o seu lugar à disposição.

Ao Jornal de Notícias, um sacerdote a trabalhar no Vaticano disse que o cardeal-patriarca está cansado" e que "não seria estranho se tivesse pedido para abandonar mais cedo as funções que ocupa".

O Nascer do Sol, que escreve que D. Clemente terá mesmo colocado o lugar à disposição, diz que Francisco terá pedido ao cardeal-patriarca que permaneça no cargo até às Jornadas Mundiais da Juventude, que se realizam dentro de um ano, em agosto de 2023, se o seu estado de saúde permitir. "Está profundamente triste e agastado com o julgamento na praça pública e passar de bestial a besta após 50 anos de missão na Igreja", disse ao semanário uma fonte próxima de D. Manuel Clemente.

Ora, de acordo com as regras, a saída do cardeal-patriarca de Lisboa do cargo poderia colocar-se depois das Jornadas Mundiais da Juventude. Na leitura do especialista em assuntos religiosos, Manuel Vilas Boas, o estado de saúde de D. Manuel Clemente pode também pesar na decisão, além da polémica em torno dos abusos sexuais na Igreja que têm vindo agora a público e a acusação de que terá ocultado um caso.

O cardeal-patriarca de Lisboa foi recebido na sexta-feira pelo Papa, um encontro onde foram discutidas as "últimas semanas que marcaram a vida da Igreja em Portugal", com a revelação de sucessivos casos de abusos sexuais. Através de um comunicado, o Patriarcado de Lisboa informou que D. Manuel Clemente foi recebido, a seu pedido, em "audiência privada" e que o encontro se realizou num "clima de comunhão fraterna e num diálogo transparente".

A ida de D. Clemente ao Vaticano aconteceu no dia em que foram conhecidos mais casos de abusos sexuais no seio da Igreja. Um padre ouvido pelo Expresso e pela RTP denunciou abusos por parte de 12 sacerdotes, sendo que metade está ainda ao serviço da Igreja Católica.

O Expresso noticiou também que, além de D. Manuel Clemente, outros bispos terão ocultado queixas de abusos sexuais. Reagindo às notícias, o Presidente da República disse que "é preciso levar a investigação até ao fim, demore o tempo que demorar, independentemente do número de casos que houver e daí retirarem as ilações".

Depois do encontro com a Comissão Independente criada para fazer levantamento de abusos sexuais no país, Marcelo Rebelo de Sousa deixou um recado à Igreja Católica.

"Há setores que resistem mais por comportamentos, práticas e rotinas, mas é um erro não perceberem que para a sociedade como um todo e para as instituições o que é salutar e bom é anteciparem-se no apuramento da verdade, anteciparem-se na transparência. Isso é que dá vida às instituições. Se não o fizerem vão apodrecendo", alertou o Presidente, que já de manhã tinha sublinhado que é preciso investigar "até ao fim" abusos sexuais sobre menores por padres.

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