Democracia deu à luz hospital novo de Viana do Castelo há 38 anos

Edifício começou a ser construído em 1976 e entrou em atividade em 1984. Até ali o serviço de saúde funcionava em condições precárias num imóvel secular.

De um hospital rudimentar a funcionar num edifício secular e degradado para um novo, capaz de servir condignamente a população. A democracia ditou um antes e um depois no serviço público de saúde para os 250 mil habitantes do distrito de Viana do Castelo. A construção de um novo hospital distrital era uma velha reivindicação das gentes, que se arrastava desde o início do século XX. Concretizou-se após o 25 de abril de 1974.

O médico e antigo autarca de Viana do Castelo (1994-2009), Defensor Moura viveu o período de transição. Fez parte da Comissão Instaladora e foi o primeiro diretor clínico do hospital novo. Trabalhou no antigo que funcionava num imóvel da Santa Casa da Misericórdia com cerca de 400 anos, situado na Praça da República, em Viana do Castelo. "O edifício estava profundamente degradado. Não tinha equipamentos, praticamente. Os que havia eram muito rudimentares e tinha equipas médicas, de enfermagem e auxiliares, muito reduzidas", contou à TSF, comentando que na altura em que iniciou funções "havia um quadro de 20 médicos e neste momento o [novo] hospital tem 270 a 280". "Por aí se vê a evolução desde o 25 de abril", disse.

Dessa época, recorda um serviço de saúde quase medieval. "As enfermarias tinham mais de 20 camas, em que os doentes tinham um altar à direita e a garrafa de oxigénio à esquerda. Altares com santos, com velas e adereços próprios de uma igreja", descreve, continuando: "Os doentes estavam em condições profundamente indignas. Durante a noite circulavam ratos pelo chão, o soalho e o teto tinham buracos. Uma vez, o equipamento de Radiologia, que estava pendurado no teto, caiu em cima de uma marquesa. Felizmente o doente tinha acabado de sair."

O edifício do atual hospital distrital de Viana do Castelo, pertencente à Unidade Local de Saúde do Alto Minho (ULSAM), foi projetado pelo arquiteto Chorão Ramalho. Começou a ser construído na encosta do Monte de Santa Luzia em 1976 e as obras pararam ao fim de três anos, quando a estrutura do imóvel já estava edificada. População e forças vivas da região mobilizaram-se para reivindicar a sua conclusão, impulsionadas pela Liga dos Amigos do Hospital, que nasceu com esse propósito (e o de incrementar as dádivas de sangue) nessa altura. E perdura até hoje, liderada por Defensor Moura.

A obra acabou por ser retomada e o novo hospital entrou em atividade em janeiro de 1984. "Foi um salto qualitativo tão grande que até custa acreditar que se chegasse ao último quartel do século XX com aquelas miseráveis condições de assistência hospitalar aos 250 mil habitantes do distrito de Viana do Castelo", afirma o médico, concluindo: "Foi o 25 de abril que criou a oportunidade de termos um dos melhores hospitais do país. Não só em Viana do Castelo, como em todo o país, o maior ganho que os portugueses tiveram [com a democracia] foi, de facto o Serviço Nacional de Saúde (SNS)."

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