DGS defende redução de 10% de sal e 20% de açúcar na alimentação dos portugueses

No novo Programa Nacional para a Promoção da Alimentação Saudável (2022-2030), a DGS propõe também a redução do consumo de carne processada e ultra processada, bem como de refrigerantes e bebidas açucaradas. Por outro lado, deve aumentar-se o consumo de fruta e hortícolas.

Menos 10% de sal e 20% de açúcar até 2027. São estas duas das metas definidas pelo novo Programa Nacional para a Promoção da Alimentação Saudável (2022-2030). No documento, divulgado no Dia Mundial da Alimentação, a DGS indica que a alimentação inadequada é uma das principais causas evitáveis de doenças crónicas, perda de qualidade de vida e mortalidade prematura em Portugal.

Entre as estatísticas que mais preocupam está a ingestão de sal: 77% dos portugueses têm uma ingestão superior a cinco gramas por dia, enquanto 41% das crianças e quase 50% dos adolescentes consomem açúcares muito acima do recomendado.

A alimentação inadequada contribui para que um em cada dois adultos tenha excesso de peso. Em crianças, uma em cada 12 com menos de cinco anos tem excesso de peso, estatística que sobe para um terço na faixa etária entre os 5 e os 19 anos.

CONSULTE AQUI O NOVO PROGRAMA NACIONAL PARA A ALIMENTAÇÃO SAUDÁVEL

Para 2030, a DGS estima que 14% da mortalidade seja atribuída à má alimentação, acima de fatores de risco como o álcool ou o tabaco.

Por isso, duas das metas são a redução de pelo menos 10% do teor de sal e de 20% do teor de açúcar nos alimentos. Outros dos objetivos são a redução do consumo de carne processada e ultra processada, bem como de refrigerantes e bebidas açucaradas. Por outro lado, a DGS quer também aumentar o consumo de fruta e hortícolas. Para os bebés, a meta é garantir um aumento de 50% do aleitamento materno exclusivo até aos seis meses.

O novo Programa Nacional para a Promoção da Alimentação Saudável está, a partir deste domingo, em consulta pública.

Mais acesso a alimentos saudáveis? "Estado poderia facilitar e comparticipar"

Neste Dia da Alimentação, a TSF falou com Conceição Calhau, professora catedrática, subdiretora da Nova Medical School e também nutricionista, que alerta para os riscos de uma dieta errática. A obesidade e o excesso de peso nas idades mais jovens devem ser encarados como um forte sinal de alerta.

"Nós temos mais de metade da população portuguesa com excesso de peso e obesidade, isto é particularmente importante, sobretudo, quando vamos aos anos mais jovens. As crianças dos zero aos três, depois as crianças na fase da infância e da adolescência também já têm números muito preocupantes, que rondam entre os 20 a 30 por cento. Isso significa que é, de facto, aí que nos devemos preocupar", avisa.

Conceição Calhau diz que é na infância que devem ser criados bons hábitos alimentares, principalmente "nos primeiros três anos de vida, porque são aqueles em que as intervenções se tornam mais sólidas". Nas idades mais avançadas, mesmo na infância e na adolescência, já é mais "difícil" criar rotinas saudáveis "de uma forma mais consistente".

A professora catedrática da Nova Medical School apela a uma intervenção interdisciplinar do Governo para que as famílias portuguesas não deixem de ter acesso a alimentos mais benéficos.

"Tem que haver um grande esforço político no sentido de termos uma noção muito clara de que a alimentação é saúde. O Ministério da Saúde e o Ministério da Agricultura têm de ter prioridades no sentido de haver acessibilidade destes alimentos à população", afirma Conceição Calhau, referindo-se "à questão de podermos ter alguma facilidade em aceder a esses alimentos por alguma comparticipação do Estado de aceder a este tipo de alimentos".

Com a subida constante da inflação, o preço dos produtos alimentares é dos que mais tem aumentado. Conceição Calhau diz que é importante fazer boas escolhas na hora de ir às compras, ressalvando que, por vezes, não é preciso comprar tanto quanto se julga, dando o exemplo do peixe fresco.

"A quantidade de peixe que precisamos de ingerir não é aquela que, muitas vezes, associamos que seja necessária", assegura, indicando que a imagem do prato deveria ser em T, isto é, "metade do prato hortícolas, um quarto do prato com peixe ou carne".

"As quantidades que precisamos que estejam diariamente na nossa alimentação são um bocadinho menores do que aquilo que possamos assumir. Obviamente, majorando uma proteína de origem vegetal que tanto temos alertado que a população precisa de consumir, como as leguminosas: o feijão, grão, lentilhas. Isso viria compensar o prato dos portugueses, além daquilo que é o acesso à fruta e aos hortícolas como bens essenciais", conclui.

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