"É desesperante ver as vespas asiáticas a caçar abelhas"

Apicultores de Sabrosa lamentam que a praga esteja fora de controlo, ameaçando a produção de mel. Também alertam que estas predadoras insaciáveis são perigosas para as pessoas e até podem matar.

A vespa velutina, também conhecida como vespa asiática, ainda não é a maior preocupação dos apicultores Laura Garcia e Vítor Vilela, que gerem a Apibéricos, em Delegada, concelho de Sabrosa. Os incêndios florestais são os principais inimigos destes apicultores, a seguir está a conjuntura económica, que não ajuda ao negócio do mel e que levanta muitas interrogações sobre o futuro. Porém, a predadora de abelhas também começa a tirar-lhes o sono.

"São muito agressivas. Funcionam como lobos, em grupo, comem muito e podem acabar com uma colmeia numa semana", salienta Laura Garcia. Acrescenta que é "desesperante ver as vespas asiáticas a caçar as abelhas". E o pior é que elas não se defendem do ataque. A forma de se defenderem é "ficarem dentro da colmeia". Ora, com as predadoras à porta "não podem sair para trabalhar" e "podem morrer à fome".

Armadilhas

A maneira mais eficaz de protegerem os apiários é a instalação de armadilhas nesta época de saída das rainhas. São as mais vulneráveis. Laura Garcia explica que tudo começa com elas. "A rainha faz todo o trabalho. Constrói o ninho, põe os ovos e alimenta as larvas". Logo, se estas forem capturadas "evitam-se muitos ninhos". Por isso, pedem ajuda para que outras pessoas coloquem armadilhas nos seus terrenos, como jardins e pomares, para ajudarem a combater a expansão da praga.

As armadilhas podem ser feitas com garrafas de água de litro e meio vazias. Fazem-se uns furos com diâmetro um pouco maior que um cigarro junto ao gargalo. A seguir coloca-se lá dentro um pouco de água com açúcar e fermento de padeiro. "A vespa é atraída, entra na garrafa e nunca mais consegue sair". Esta solução "não é atraente para as abelhas", pelo que não correm perigo de também lá ficarem.

Ameaça à sociedade

Para combater a praga, os Apibéricos também pedem melhor estratégia às entidades públicas, pois "é um problema grave e que ameaça a sociedade". Há prejuízo direto para os apicultores, porque as velutinas "comem os enxames", mas também são "muito agressivas para os humanos", sublinha Laura Garcia. "Um ninho perto de uma casa habitada é muito perigoso", insiste, lembrando que fazem ninhos em locais que "podem não ser bem visíveis", como "árvores muito altas e ruínas". Quem não se aperceber do risco pode ser atacado e "uma ou das picadas podem ser mortais". "Acho que as entidades públicas ainda não acreditam verdadeiramente no perigo que isto representa e deveriam estar mais atentas", critica.

10 toneladas de mel

Enquanto espera por mais ajudas para combater a vespa asiática, o casal de apicultores Laura e Vítor, continua a remar para manter a atividade iniciada há 15 anos em Delegada, concelho Sabrosa, ondem vivem menos de duas dezenas de pessoas.

Conheceram-se na Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro (UTAD), em Vila Real, onde Vítor estudava Ecologia Aplicada e Laura, aluna de Erasmus, foi fazer Ciências do Ambiente. Os interesses comuns acabariam por pesar na união e no futuro cimentado com mel de abelha.

Concluídas as licenciaturas, decidiram ser apicultores profissionais. Compraram algumas colmeias, familiarizaram-se com a atividade, conheceram apicultores por toda a Europa e em 2009 começaram a fazer o mestrado em Engenharia Agronómica, em França. Em 2011 fizeram uma candidatura ao PRODER com a ajuda da UTAD e começaram a trabalhar a sério criando a Apibéricos.

Atualmente têm mil colmeias, distribuídas por 30 locais de Trás-os-Montes e Alto Douro, e uma produção de 10 toneladas de mel por ano.

Os Apibéricos também se dedicam ao apiturismo. Têm programas para mostrar o que fazem e proporcionar aos turistas que visitam a região a oportunidade de ser apicultor por um dia. O programa pode incluir várias atividades no meio das abelhas, ou à mesa, provando diversas iguarias em que entram produtos derivados da colmeia.

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