É grave. Portugal lidera no consumo de psicofármacos

Especialistas alertam que falta de meios no serviço público de saúde pode estar a levar os médicos a receitarem demasiados medicamentos para a saúde mental, correndo vários riscos.

O relatório anual do Observatório Português dos Sistemas de Saúde (OPSS) alerta que o país atravessa uma situação "grave" na quantidade de fármacos que são prescritos a quem tem doença mental, nomeadamente idosos.

Os especialistas que analisaram e deram uma nota muito negativa à evolução de Portugal na área da saúde mental são especialmente críticos perante os números que encontraram no consumo de psicofármacos.

"Ao associar estes dados à ampla prescrição de antidepressores e ansiolíticos, às elevadas taxas de polimedicação e à prescrição de medicamentos potencialmente inapropriados, principalmente na população idosa, verifica-se um problema grave em termos de adequação da terapêutica prescrita aos doentes com doença mental", destaca o documento.

O consumo de antidepressivos não para de aumentar com Portugal a surgir em terceiro lugar na lista dos países desenvolvidos (da OCDE).

Nos ansiolíticos, o volume de vendas (2% de todos os fármacos vendidos em território nacional, dados de 2017) coloca mesmo Portugal em primeiro lugar comparativamente com todos os outros países da OCDE. Nos hipnóticos e sedativos o país surge na sétima posição, mesmo assim acima da média.

"Quando comparado o somatório do volume de vendas (6,5%) e da despesa destas três classes de fármacos com outras, verifica-se que estes valores ultrapassam diversos grupos" de medicamentos muito comuns na população nacional.

Problema mais grave nos idosos

O relatório sublinha uma análise feita pelos especialistas da OCDE que encontrou elevados níveis em Portugal de prescrição de sedativos, hipnóticos e ansiolíticos, especialmente em idosos que também recebem demasiadas vezes medicamentos "para distúrbios de ansiedade e de sono, embora sejam bem documentados os riscos de reações adversas, nomeadamente confusão, fadiga e vertigens", num "risco adicional de quedas, acidentes e overdose, bem como de casos de tolerabilidade e dependência, pseudo-demência e diminuição cognitiva".

Apesar das recomendações, diz o relatório do Observatório, "Portugal é não só o segundo país com mais idosos a tomar benzodiazepinas, sendo esta classe farmacoterapêutica prescrita a 139 idosos em cada 1000, mas também mais de 60% destes idosos tomam benzodiazepinas de ação prolongada".

"Estudos apontam ainda que 59,2% dos idosos se encontram polimedicados e 37% tomam medicação potencialmente inapropriada."

O porta-voz do Observatório Português dos Sistemas de Saúde afirma, em declarações à TSF, que as opções de cada médico com o seu doente são sempre "legítimas", mas é preciso repensar o plano de saúde mental.

Rogério Gaspar diz contudo que os números presentes no relatório preocupam e o Estado tem de contratar mais recursos humanos e encontrar mais condições para fazer uma reforma que permita medicalizar menos demasiados portugueses com doença mental.

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