"É humanamente impossível." Enfermeiros da Urgência de Faro afirmam que foi atingida linha de perigo

Primeiro foram os enfermeiros da obstetrícia, depois da pediatria, agora são os profissionais que trabalham no serviço de urgência a queixar-se de exaustão extrema.

Os enfermeiros que trabalham na urgência do Hospital de Faro argumentam que já foi ultrapassado o limite do razoável. Afirmam que têm sobre os ombros um elevado ritmo e volume de trabalho, associado a 7.600 horas extraordinárias realizadas desde o início do ano.

No verão, esta urgência está a atender cerca de 300 pessoas diariamente e, segundo o Sindicato dos Enfermeiros Portugueses, no balcão de atendimento e triagem, onde deviam estar três enfermeiros, está apenas um. A acudir aos doentes que por vezes ficam em macas nos corredores também são poucos os profissionais disponíveis. De acordo com o sindicato, a Urgência de Faro necessitaria, no mínimo, de cem enfermeiros para garantir cuidados de segurança, e tem apenas 75.

"É humanamente impossível atender dezenas e dezenas e mesmo centenas de pessoas", assume Nuno Manjua, dirigente regional do sindicato. "Não dá! Os próprios colegas dizem estar abaixo daquilo que designam de linha de perigo", desabafa. "Não havendo enfermeiros nos postos de trabalho poderá haver situações a que não possam socorrer as pessoas em tempo útil ", alerta.

O sindicato acusa a administração do Centro Hospitalar e Universitário do Algarve (CHUA) de nada fazer para reter profissionais. "O cenário é desolador, porque, efetivamente, os enfermeiros desdobram-se para dar resposta, mas estão exaustos", adianta.

Pelas contas do sindicato, desde o início do ano, saíram da urgência do Hospital de Portimão dez enfermeiros e sete de Faro. "Alguns de um dia para o outro", garante o sindicalista. Situação que considera ser demonstrativa da "insatisfação e da exaustão" que atinge nesta altura os profissionais.

"Temos contratado todos os enfermeiros que se têm mostrado disponíveis"

Mariana Santos, enfermeira diretora do Hospital de Faro, assegura que, apesar da falta de profissionais, os cuidados de saúde não estão em perigo.

"Temos a nossa organização interna. Tanto o enfermeiro chefe do serviço de urgência como os enfermeiros chefes de equipa fazem a gestão dos recursos que têm mediante os picos de trabalho que vão verificando. Felizmente, agora temos mais atendimentos mas também diminuímos o número de internamentos no serviço de urgência, o que facilita bastante. Por outro lado, temos o enfermeiro da coordenação, que está de serviço ao hospital inteiro e também faz a mobilização dos recursos mediante as necessidades que se verificam, no sentido de garantir a maior segurança na prestação de cuidados", explicou à TSF Mariana Santos.

A enfermeira diretora do hospital garante que a administração tudo tem feito para recrutar mais enfermeiros.

"Temos contratado todos os enfermeiros que se têm mostrado disponíveis para prestar serviços, fazer o contrato de trabalho no centro hospitalar e temos feito apelos. Eu própria, no início do mês de junho, enviei, à semelhança do ano passado, um e-mail para todas as escolas de enfermagem a nível nacional e pedi aos respetivos diretores para divulgarem esse e-mail pelos enfermeiros que estavam a terminar o curso. Nesse e-mail, faço um apelo para os enfermeiros virem trabalhar para o centro hospitalar. Desde o início de junho até hoje, já admitimos 62 enfermeiros e estamos em contacto com mais enfermeiros para contratar", revelou a enfermeira diretora do Hospital de Faro.

Mesmo assim, Mariana Santos admite que dificilmente o problema ficará resolvido no futuro próximo.

"O Algarve não forma enfermeiros em número suficiente e a grande maioria dos profissionais são de fora da região. Estes profissionais vêm para cá, começam o seu percurso profissional, desenvolvem competências, ficam peritos em determinadas áreas e, quando há concursos para a região das áreas de residência, eles entram automaticamente porque já têm as competências necessárias para assumir os postos de trabalho. Vão para perto da família e, obviamente, deixam o Algarve", acrescentou a responsável.

Notícia atualizada às 18h07

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