É "lamentável" que haja hospitais impedidos de comprar medicamentos por dívidas

Fábio Poço/Global Imagens
O representante dos médicos considera "lamentável" a situação denunciada pela TSF esta manhã.
O bastonário da Ordem dos Médicos não compreende como é que existem hospitais impedidos pelo Tribunal de Contas de comprar medicamentos para o cancro, porque têm dívidas acumuladas. Miguel Guimarães, que esta terça-feira visitou o Hospital de Santa Maria da Feira, defende que a prioridade tem que ser sempre tratar os doentes.
"Eu acho lamentável esse tipo de situação, porque em primeiro lugar estão os portugueses, as pessoas, os nossos doentes. O que nós temos de fazer e o que o Tribunal de Contas devia recomendar fortemente é que quem tem a responsabilidade política para dotar os hospitais dos orçamentos adequados para eles poderem tratar os doentes como devem tratar que o faça com caráter de urgência. Essa é que é a matéria essencial. As pessoas que estão a dirigir os hospitais têm de lutar pelos seus doentes, têm de oferecer aos seus doentes aquilo que são os tratamentos que beneficiam a sua situação clínica e que se traduzem, muitas vezes, em cura de algumas situações", adianta o bastonário.
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Esta manhã, na TSF, o presidente da Associação dos Administradores Hospitalares pediu ao Governo a revisão da lei dos compromissos, uma herança do tempo da troika, que alegam estar desfasada da realidade. O bastonário da Ordem dos Médicos concorda com esta perspetiva e acredita que a lei deve ser revista porque o tratamento dos doentes passou para segundo lugar.
"A lei dos compromissos é quase impossível de cumprir. Se as administrações cumprirem a lei dos compromissos, obviamente não estão a tratar os doentes como devem tratar. Eu acho que o tratamento dos nossos doentes está em primeiro lugar. Nós temos de defender todos os doentes. Toda a gente que está na área da saúde - médicos, enfermeiros, administradores hospitalares - tem de defender os doentes, fazer uma gestão adequada e eficaz, mas não deixar de tratar doentes porque não está a ter o orçamento adequado para o poder fazer", remata.