Em Barrancos há uma tradição de Natal que rima com catalão

A iguaria é assada em pleno centro da vila, nos madeiros tradicionais de Natal.

Esta noite de Natal a população de Barrancos vai comer o tradicional catalão em casa, interrompendo uma longa tradição. A iguaria barranquenha, feita à base de porco preto é habitualmente assada nas brasas em pleno centro da vila, durante a madrugada, juntando centenas de pessoas à cantarem ao Menino.

A fogueira vai voltar a aquecer a noite na Praça de Liberdade e até é provável que se ouça a zambomba a acompanhar os cantares ao Menino. Mas há uma tradição que não vai sair à rua: em tempos de pandemia e pela primeira vez, o catalão não será comido pela madrugada fora entre amigos.

Rita, que representa as novas gerações de barranquenhos, está resignada a comer a iguaria exclusiva da vila raiana "em casa, com um mínimo de pessoas. Assim exigem os dias de hoje", diz, revelando que a noite de Natal passada na rua junto à enorme fogueira é uma tradição que se perde no tempo.

O enorme lume é aceso na praça ao fim da tarde, depois dos madeiros terem começado a ser recolhidos nos campos desde 8 dezembro. Após a missa do galo a população junta-se na rua para fazer a festa com cânticos natalícios da vizinha Espanha ao som da zambomba (um tambor membranofone de fricção). "Nessa altura já temos os catalões preparados e quando as brasas da fogueira o permitem assamos a carne", diz.

Mas que iguaria é esta exclusiva de Barrancos? "Não se faz em mais lado nenhum do Mundo", afiança Fátima Rúbio, enquanto canta uma das tradicionais músicas espanholas acompanhada por Cláudio Pica na zambomba. Explica que este enchido ainda em fresco tem tempero próprio. "É feito com carne de porco, sem muita gordura, leva sal, vinho, pimenta preta e noz moscada", revela, alertando que é agora que o catalão está "no ponto" por ser a época das matanças na vila.

"Dantes todas as famílias faziam o catalão, porque quase todos matavam um porco para autoconsumo durante o ano", recorda, sublinhando como para produzir o melhor catalão vale bem a pena reservar as melhores partes do porco. "Na casa dos meus pais utilizava-se a parte das pernas e a gordura suficiente para que não fizesse chama quando começasse a pingar nas brasas".

Há ainda a curiosidade aliada a esta iguaria barranquenha, que passa pelo acompanhamento, traduzido numas migas diferentes das que se comem habitualmente no Alentejo. "Levam muito pouca água. São feitas com alho e azeite. São fritas e vão-se quebrando, ficando estaladiças. São tipicamente espanholas. Isto acompanhado com um bom vinho tinto fica uma maravilha" resume.

Mais Notícias

Outros Conteúdos GMG

Patrocinado

Apoio de