Em muitos concelhos basta uma família infetada para se ficar acima da linha vermelha

Indicador usado para travar desconfinamento arrisca-se a ser injusto para pequenos municípios do Interior.

Em mais de uma centena de municípios do país com pouca população bastam dez ou bem menos novos casos de covid-19 para que se ultrapasse o limiar de risco definido pelo Governo, numa fórmula de cálculo que é considerada injusta por várias autarquias, mas também por especialistas em saúde pública.

Há, aliás, casos extremos, como o de Barrancos, referido à TSF pelo coordenador de Saúde Pública do Baixo Alentejo.

No Baixo Alentejo há atualmente dois concelhos em risco de não desconfinarem daqui a duas semanas - Beja e Moura - por estarem acima do limiar de risco anunciado por António Costa, ou seja, 120 casos por 100 mil habitantes nos últimos 14 dias.

A situação em Beja e Moura está estável, mas a evolução ainda é incerta, e Mário Jorge Santos, admite, contudo, que também está preocupado com outros pequenos municípios do Baixo Alentejo como Barrancos onde bastam dois infetados para se passar a linha vermelha.

"Os pequenos concelhos do Interior com muito baixa população muito facilmente ficam no vermelho. Basta ter uma família infetada", explica.

Com 1.634 habitantes - últimos dados do Instituto Nacional de Estatística -, Barrancos é o concelho com menos população do Continente, apenas tendo mais residentes do que dois municípios dos Açores - o Corvo e as Lajes das Flores.

O caso de Barrancos é extremo, apesar de estar longe de ser o único concelho do país onde bastam poucos casos de covid para passar a linha vermelha - na prática, o risco de ser obrigado a confinar é maior onde a população é pouca.

Pelos cálculos da TSF há 111 municípios no país onde bastam dez ou bem menos novos infetados para colocar todo um concelho na zona de risco e 48 onde são suficientes meia dúzia ou menos de infetados.

Sendo mais preciso, num concelho - o Corvo - basta um caso, em três bastam dois, em nove bastam três, em 25 bastam quatro e em 33 bastam cinco.

Mário Jorge Santos, que também alerta para os problemas de concelhos como Odemira com muito mais população efetiva do que a residente - algo que ilude, igualmente, a incidência -, refere que para os pequenos concelhos os indicadores são "muito injustos".

"Foram indicadores pensados para dimensões muito superiores de população e acabam por ser injustos para os pequenos concelhos do Interior que são, também, aqueles que têm problemas de isolamento e de falta de serviços, onde a população mais precisa de transitar entre concelhos, às vezes até para ir ao supermercado, aos correios ou a entidades oficiais que são consideradas essenciais", detalha o coordenador da saúde pública no Baixo Alentejo.

Razões que levam Mário Jorge Santos a dizer que o indicador usado até pode ser o mesmo, mas que se façam análises de risco para conjuntos de concelhos e não para concelhos isolados quando estes têm poucos milhares de habitantes.

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