Ensino superior quer plano de apoio para colocar em prática recomendações do Governo

Pedro Dominguinhos fala de um custo de "três a quatro mil euros" só para equipar salas de aula de forma a poder lecionar à distância.

O presidente do Conselho Coordenador dos Institutos Superiores Politécnicos, Pedro Dominguinhos, defende que perante as orientações e recomendações do ministério da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior para o próximo ano letivo, as instituições vão precisar de mais apoios para enfrentar as dificuldades colocadas pela pandemia.

"Primeiro há um acréscimo de custos", começa por notar o representante dos politécnicos, sublinhando também a necessidade de uma "modernização tecnológica para fazer face às recomendações do ministério".

A estas duas condicionantes junta-se a "perda de receitas ao nível das propinas e serviços de ação social motivada pela redução significativa de serviços" prestados pelas instituições desde o início da pandemia.

O Governo já fez chegar às instituições portuguesas de ensino as recomendações a seguir no próximo ano letivo no âmbito da pandemia de Covid-19. As aulas presenciais mantêm-se como regra a seguir sempre que estejam asseguradas as condições de segurança, mas há uma novidade: a semana de aulas pode vir a ter mais um dia. O ministério da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior recomenda às universidades que, no próximo ano letivo, tenham um horário alargado, do qual não deve ficar excluída a possibilidade de haver aulas ao sábado.

Para que as orientações possam ser seguidas, explica Pedro Dominguinhos, as instituições vão precisar de ajuda para fazer os investimentos em tecnologia e, por isso, o presidente do conselho pede que haja para o ensino superior um plano semelhante ao que está a ser preparado para outros graus de ensino.

"Nós não estamos, em larga escala, preparados para, de um momento para o outro, poder transmitir em direto" as aulas, como sugerem as recomendações do Governo, que pede uma redução do número de alunos nos espaços de aula.

"Isto significa um planeamento - e a maior parte das instituições está a fazê-lo - e há necessariamente que adotar os mecanismos para adoção desses mesmos equipamentos", alerta o representante dos politécnicos. Pelas contas, equipar apenas uma sala com as tecnologias necessárias pode custar alguns milhares de euros.

"Uma sala de aulas, em condições normais, com equipamento de streaming para transmissão, para quadro digital interativo e para interação com os estudantes que estão em casa pode custar três a quatro mil euros", estima Pedro Dominguinhos.

Face a estes valores, "é fundamental que seja criado um programa de apoio a que as instituições de ensino superior se possam candidatar para poder equipar as salas de aula com esses mecanismos que permitam ir ao encontro das iniciativas".

Não é, no entanto, apenas nas salas de aula que há problemas a resolver. Pedro Dominguinhos deixa um outro apelo, este para a ministra da Saúde, porque é preciso criar condições para que os estudantes possam concluir os estágios clínicos.

"Estamos a encontrar muitas dificuldades junto dos centros hospitalares e das ARS para que os nossos estudantes os possam concluir", lamenta. Esta terça-feira, revela, um centro hospitalar informou as instituições de que "cada estudante de enfermagem, para poder concluir o seu estágio, teria de levar 50 pares de luvas para cada turno".

Perante estas condições, o presidente do conselho coordenador confessa que, do ponto de vista financeiro, está a colocar-se "uma exigência muito significativa junto das instituições de ensino superior" para que os estudantes possam concluir os seus estudos.

"Já enviámos uma carta à senhora ministra da Saúde para que consigamos, de uma vez por todas, iniciar os ensinos clínicos do segundo e terceiro deste ano letivo a partir de setembro, para que possamos ter um ano letivo 2020/2021 com a normalidade possível, dentro das contingências a que Covid nos obriga", conclui.

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