Esta é "talvez a imagem mais forte de toda a minha vida enquanto fotojornalista"

A fotografia de Rodrigo Cabrita foi premiada no concurso internacional Pictures of the Year International e o autor conta à TSF como tudo aconteceu.

Um rapaz de 13 anos parece dormir. Está entubado, tem um adesivo colado ao rosto e a cabeça deitada sobre uma almofada, enquanto uma lágrima desliza pelo seu rosto. A imagem foi eternizada por Rodrigo Cabrita, um fotojornalista que percorreu os corredores do Hospital Dona Estefânia, em Lisboa. A fotografia foi premiada no concurso internacional Pictures of the Year International (POY) e o autor conta à TSF como tudo aconteceu.

"Eu estava a começar o trabalho no Hospital Dona Estefânia sobre como agir e estar na Unidade de Cuidados Intensivos. Quando olhei pela janela interrompi rapidamente a conversa com a enfermeira e foi quando fiz a foto. A foto não teve preparação nenhuma. A imagem era do Francisco e o Francisco chorava. Aquela lágrima tem a ver com uma reação do corpo à terapêutica que estava a ser administrada e foi uma imagem muito emotiva", conta Rodrigo Cabrita.

O fotojornalista percebeu de imediato que tinha ali uma imagem muito forte: "Talvez a mais forte de toda a minha vida enquanto fotojornalista", confessa.

Rodrigo Cabrita explica que o rapaz, Francisco, tinha sintomas singulares da doença de Kawasaki e que a imagem ficou guardada durante todo este tempo: "A ideia era fazer parte de um projeto de memória futura Covid para o Centro Hospitalar Central de Lisboa. Os pais do Francisco foram contactados, não poderia ser de outra maneira e pedimos autorização para submeter a fotografia a concursos de fotojornalismo internacionais."

O fotógrafo espera que esta fotografia, bem como outras tantas de outros colegas, sirva para "despertar a consciência de várias pessoas para o problema".

"É uma imagem que reflete tudo aquilo que vivemos, aquela lágrima podemos interpretá-la de todas as maneiras. Eu vejo aquela lágrima como um elo entre o bom e o mau. Há imensas histórias que acabaram em bem, há imensas histórias que acabaram em mal. E há muitas histórias que ainda estão em suspenso", sustenta.

A história do Francisco, garante, está a acabar bem. "Ele está praticamente recuperado. É um herói", remata.

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