Saída de enfermeiros leva ao fecho de Unidade de Cuidados Continuados em Sintra

Vários profissionais de saúde entregaram "num espaço de dias" cartas de demissão. Saíram para hospitais públicos e um privado na região de Lisboa.

A falta de enfermeiros levou, esta sexta-feira, ao encerramento da Unidade de Cuidados Continuados de Longa Duração e Manutenção da CERCITOP, em Sintra, e à transferência dos 25 utentes para outras unidades da região Lisboa e Vale do Tejo e do Centro.

Num comunicado enviado às redações na manhã desta sexta-feira, a Associação Nacional dos Cuidados Continuados (ANCC) dava conta de que "desde há três anos" vinha a alertar para "a falta de Enfermeiros no mercado de trabalho, bem como para o subfinanciamento da Rede Nacional de Cuidados Continuados Integrados (RNCCI)", problemas que chegara a ser comunicados à Comissão de Saúde da Assembleia da República a 14 de outubro.

Em declarações à TSF, o presidente da ANCC, José Bourdain, sublinha que "num espaço de poucos dias, vários enfermeiros que trabalhavam naquela unidade apresentaram a sua carta de demissão" rumo a hospitais públicos e um privado da região de Lisboa.

"Por sorte, estes enfermeiros que se demitiram ainda deram um prazo de aproximadamente três semanas" até à sua saída, sublinha o representante, o que permitiu "colocar os doentes com tempo e um pouco à pressa" noutros centros de Cuidados Continuados da região Lisboa e Vale do Tejo e do Centro.

Depois de três anos de alertas e de ter sido dado conhecimento dos problemas à Assembleia da República. José Bourdain admite temer que outras unidades sejam obrigadas a fechar portas.

"Temos conhecimento, quer de associados da ANCC, quer de Santas Casas das Misericórdias, privados e outras IPSS, desesperados porque têm muita falta de enfermeiros e algumas unidades podem fechar a qualquer momento", alerta, pedindo ao Governo que resolva o problema.

As situações de risco identificadas estão nas regiões de Lisboa e Vale do Telo, Alentejo e Algarve mas, alerta a ANCC, "também no interior Norte e Centro", há grandes dificuldades para que as unidades se mantenham em funcionamento ". A ANCC nunca recebeu qualquer resposta por parte do Governo.

Contactado pela TSF, a gabinete da Ministra da Saúde esclarece que tem conhecimento deste caso e afirma que todos os utentes foram transferidos para outras respostas sociais, num processo que "garante a continuidade de cuidados e a necessária informação aos utentes e família".

A tutela acrescenta ainda que, dos 25 utentes internados na Unidade de Cuidados Continuados de Longa Duração de Sintra, nove foram transferidos para Unidades da Equipa Coordenadora Regional do Centro, um para o Algarve, dez para unidades da Região de Lisboa e Vale do Tejo e cinco utentes encontram-se em camas convencionadas pela Administração Regional de Saúde de Lisboa e Vale do Tejo na Residência Montepio Parede.

*Notícia atualizada às 19h36 com a resposta do ministério da Saúde

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