Falta "massa crítica" para mais três cursos de medicina

O bastonário da Ordem dos Médicos defende que o problema não está na falta de médicos a saírem formados das universidades, mas na incapacidade do país em reter estes profissionais, e considera que não há necessidade nem massa crítica suficiente para mais três cursos.

Os planos do ministro Manuel Heitor, que revelou querer abrir mais três cursos de medicina no país nos próximos dois anos, agradam aos autarcas de Aveiro e de Évora, mas não à Ordem dos Médicos. Além de Aveiro e Évora, também Vila Real é uma das cidades eleitas para a implementação de uma nova formação médica.

Miguel Guimarães considera que, além de não haver massa crítica suficiente, o problema não está na falta de médicos a saírem para o mercado de trabalho nacional, mas na quantidade de profissionais que permanecem em território nacional. "Daquilo que eu conheço, do que existe no país, julgo que não temos massa crítica suficiente para isso", começa por dizer o bastonário.

"Somos o terceiro país da OCDE com mais médicos, que forma mais médicos por mil habitantes. Temos, no que diz respeito a estudantes de medicina na Europa, o quinto ou sexto país que mais estudantes de medicina tem por mil habitantes."

Por isso, na perspetiva do bastonário, Portugal forma "bastantes médicos". O problema, diz Miguel Guimarães, é que "não estamos a conseguir, sobretudo nos últimos anos, reter, motivar os médicos que acabam as especialidades para ficarem a trabalhar no Serviço Nacional de Saúde". Miguel Guimarães lembra ainda que 40% das vagas que foram abertas para medicina geral e familiar para os especialistas não foram ocupadas.

Outra das preocupações do representante da Ordem dos Médicos é um eventual prejuízo na qualidade do ensino da medicina. "Não há curso de medicina de primeira categoria e curso de medicina de segunda categoria. Não posso ter um curso de medicina para tratar determinado tipo de doentes, doentes especiais, e depois de ter uma medicina para tratar os outros doentes, isso não existe."

Miguel Guimarães sustenta que têm todos a mesma formação e têm de tratar todas as pessoas da mesma forma, e que, de forma global, é "muito boa" a formação dos médicos portugueses, o que faz com que sejam "desejados pelo resto da Europa". O bastonário reforça ainda que a qualidade do SNS é explicada pelo capital humano que possui.

Os autarcas de Aveiro e Évora, em contraste, reagem com satisfação à notícia. Ribau Esteves, presidente da Câmara de Aveiro, saúda o ministro pela decisão, até porque a cidade apresenta uma universidade com edifício e instalações "de grande qualidade". Ribau Esteves garante ainda que juntará esforços com o Ministério do Ensino Superior, para que o arranque ocorra mesmo em 2023.

Carlos Pinto de Sá lembra que está a começar a construção de um novo hospital no Alentejo, pelo que a iniciativa de alocar um curso de medicina em Évora não poderia ser mais oportuna. No entanto, o autarca alerta que será necessário conseguir certas "condições", como um número maior de camas para os estudantes universitários. "A universidade tem estado a negociar com o Governo, e já avançou com um determinado número de propostas." Carlos Pinto de Sá acredita que, nos próximos 12 a 18 meses, haverá um maior número de camas disponíveis.

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