Fátima como nunca se viu na peregrinação de maio. Lojas vazias, hotéis fechados

Todos os espaços do Santuário ficam interditos entre as 10 horas desta terça-feira e as 18 horas de amanhã e as autoridades apelam aos fiéis para não se deslocarem à Cova da Iria.

José Santos e dois amigos saíram de Esposende na quinta-feira e após vários dias a pé chegaram a Fátima horas antes da proibição de acesso ao Santuário, que entra em vigor esta terça-feira, 12 de maio, às 10 horas.

São 24 anos a repetir os caminhos da fé e a pagar uma promessa que tem continuidade em 2020.

"Enquanto puder, hei de o fazer", afirma à TSF.

Com as autoridades a apelarem aos fiéis para não se deslocarem à Cova da Iria e o Santuário fechado entre as 10 horas de hoje e as 18 horas de amanhã, em Fátima as ruas apresentam-se muito diferentes do habitual.

Praticamente sem peregrinos, e também sem clientes.

"Ontem só um, anteontem nem um e hoje nem um. É uma tristeza. Nunca vi Fátima desta maneira, nunca", explica Paula Carreira, funcionária de uma loja de artigos religiosos.

Perspetivam-se meses dramáticos para o comércio numa cidade que costuma receber 6 milhões de visitantes por ano, muitos deles estrangeiros.

Os 40 hotéis de Fátima, que somam 9 mil camas e vendem 1 milhão de dormidas por ano, das quais 700 mil resultam de hóspedes internacionais, estão normalmente esgotados no 13 de maio. Este ano há uma ou duas unidades abertas e a taxa média de ocupação é inferior a 1%, segundo Alexandre Marto, CEO de um grupo de 10 hotéis independentes.

A anulação de reservas começou logo em fevereiro. "Primeiro a Coreia [do Sul], depois Europa, Itália e Espanha, principalmente, e quando Itália começou a ter problemas, além de deixarmos de receber italianos, também deixámos de receber pessoas daqueles países que iam visitar Itália e passavam por Portugal, portanto, foi um colapso total", resume.

Os postos de trabalho são agora a maior preocupação dos empresários, que já se preparam para uma longa travessia no deserto, com "um ano terrível" pela frente, afirma Alexandre Marto, que é também membro da direção da Associação da Hotelaria de Portugal.

A peregrinação de 12 e 13 de maio costuma atrair 300 mil crentes e abre a época alta do turismo religioso em Fátima.

O Santuário de Fátima desafiou os peregrinos a acenderem uma vela na janela de casa, pelas 21 e 30 horas, momento do início oficial das cerimónias, na Capelinha das Aparições.

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