Fim do inverno e vacinas podem não ser suficientes para travar variantes

Peritos europeus pedem urgência aos governos no plano de vacinação, mesmo que, com as variantes, as vacinas possam não ser tão eficazes como se pensava inicialmente.

O Centro Europeu de Controlo de Doenças (ECDC) teme que boa parte dos ganhos conseguidos nos últimos tempos na luta contra a Covid-19 sejam colocados em causa pelas variantes.

Os países podem ser obrigados a avançar com medidas mais musculadas, mesmo com a chegada das vacinas e do tempo mais quente que se espera que acalme a pandemia.

Os alertas estão num novo relatório publicado esta segunda-feira que atualiza o grau de risco do SARS-CoV-2 no velho continente para "alto a muito alto" entre a população em geral e para "muito elevado" entre as pessoas mais vulneráveis.

Vários países - nomeadamente Portugal - têm registado um recuo nas infeções nas últimas semanas, mas o documento avisa que as análises matemáticas revelam que a não ser que as medidas de distanciamento continuem ou sejam mesmo reforçadas nos próximos meses, as infeções e mortes arriscam-se a aumentar de forma "significativa".

"Apesar da vacinação mitigar o efeito de substituição da pandemia com variantes mais transmissíveis e da sazonalidade potencialmente reduzir a transmissão nos meses de verão, relaxar as medidas prematuramente vai levar a um rápido aumento das taxas de incidência, casos severos e mortalidade", diz o documento.

O ECDC está sobretudo preocupado com as variantes que podem colocar em causa grande parte do caminho já feito no combate à pandemia, nomeadamente nos ganhos esperados com as campanhas com as vacinas atualmente aprovadas que se arriscam a ser "parcialmente" ou mesmo "muito menos" eficazes.

Teme-se que as variantes sejam mais transmissíveis e levem a formas mais graves da doença.

A atenção do ECDC está virada para as estirpes com origem na África do Sul, Brasil e sobretudo no Reino Unido que tem um peso cada vez mais relevante nos vários países europeus, nomeadamente em Portugal com 45% dos novos casos - o segundo país da União Europeia com uma proporção mais elevada desta estirpe.

O ECDC avisa que se uma variante 70% mais transmissível substituir aquelas que estavam em circulação na Europa, as medidas em vigor no final de janeiro não vão ser suficientes para prevenir um aumento "substancial" da mortalidade associada à pandemia.

Para mitigar os problemas potenciados pelas variantes, os peritos pedem aos países europeus que acelerem a vacinação dos grupos de risco.

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