Guimarães rastreia saúde mental de oito mil crianças

Objetivo é avaliar indicadores de perturbação emocional e/ou comportamental nos últimos seis meses.

Em pleno segundo confinamento da pandemia da Covid-19, o município de Guimarães iniciou um rastreio à saúde mental de oito mil crianças, entre os três os 10 anos, inscritas nas escolas do pré-escolar e do 1º ciclo do concelho.

O projeto, em parceria com o ProChild CoLAB, a Associação de Psicologia da Universidade do Minho (APsi-UMinho) e o Centro de Investigação em Psicologia da Universidade do Minho (CIPsi), prevê, além do diagnóstico, uma intervenção psicológica gratuita para as crianças e famílias que necessitem.

"Quando mandamos as crianças para casa no primeiro confinamento tivemos eco de muita preocupação em relação às crianças mais pequenas, nomeadamente a tristeza que tinham, a saudade dos colegas e, depois, o medo de regressar à escola. Passado quase um ano sobre o primeiro confinamento é ainda mais importante fazermos esta medição, porque todas as problemáticas são hoje muito mais agudas", justifica Adelina Pinto, vereadora da Câmara Municipal de Guimarães.

As queixas de stress, irritação, medo e ansiedade nas crianças multiplicaram-se, atingindo uma dimensão e profundidade ainda pouco conhecidas. Sónia Sousa, mãe de um aluno de 9 anos, relata que teve de procurar ajuda médica para diagnosticar as "tonturas e enjoos" que surgiram no filho por altura do primeiro confinamento. "Refugiou-se nos jogos para poder estar online com os amigos, começou a entrar numa situação de stress por não poder sair, correr e descarregar energias e isto acabou por lhe trazer complicações, desenvolveu síndrome vertiginoso, que eu continuo a associar ao confinamento", descreve.

Foi a partir de testemunhos idênticos que a Câmara de Guimarães decidiu avançar com um rastreio à saúde mental dos mais novos, anunciado no início do ano letivo, mas que só agora foi possível avançar, devido a atrasos relacionados com a proteção de dados.

"Sendo Guimarães um município de média dimensão, os dados que recolhermos poderão servir para, a partir deles, fazer uma leitura nacional e ajudar no desenvolvimento de políticas públicas", reforça Adelina Pinto.

O rastreio está a ser realizado através de um conjunto de questionários, disponíveis na plataforma +Cidadania, que terão de ser preenchidos voluntariamente pelos encarregados de educação.

"Vamos tentar perceber, por exemplo, se a criança se mostra mais irrequieta, mais queixosa, por exemplo em termos de dores de cabeça ou de barriga, se se enerva mais facilmente, se faz mais birras, se tem tendência a isolar-se. É um questionário de amplo espectro que visa efetivamente perceber se a criança apresenta indicadores de perturbação emocional e/ou emocional", explica a psicóloga Marlene Sousa, do laboratório colaborativo ProChild, de que o Município de Guimarães é um dos fundadores.

Os casos que requeiram mais atenção passam de imediato para uma fase de avaliação e intervenção psicológica, um serviço que será gratuito para as famílias que precisarem.

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