Há 38 anos que nível de mortalidade materna não era tão elevado. DGS procura respostas

Em 2020 morreram 17 mulheres por complicações da gravidez, parto ou puerpério. A DGS criou uma equipa com especialistas de diferentes áreas para investigar o problema.

Há quase quatro décadas que a mortalidade materna não era tão elevada. Dados do Instituto Nacional de Estatística (INE) e consultados pelo Jornal de Notícias (JN), revelam que, só em 2020, a taxa de mortalidade materna atingiu os 20,1 óbitos por 110 mil nascimentos devido a complicações da gravidez, parto ou puerpério, ou seja, o período que vai desde o nascimento até um mês e meio depois. É o nível de mortalidade materna mais elevado em 38 anos. A Direção-Geral da Saúde (DGS) reconhece o problema e adianta que os peritos das diversas áreas já estão à procura de respostas.

Das 17 mortes maternas registadas em 2020, oito aconteceram durante a gravidez, uma durante o parto e oito nos 42 dias seguintes ao parto, explica a DGS ao JN. Para investigar estas mortes, a DGS criou uma equipa composta por especialistas de diferentes áreas, como obstetrícia, medicina interna, anestesiologia.

Por enquanto, ainda não há conclusões, mas Diogo Ayres-de-Campos, que integra esta comissão, afirma ao JN que é visível uma "degradação dos cuidados obstétricos", o aumento da idade da gravidez e de grávidas "com patologias". Ainda assim, o especialista afirma que é preciso investigar caso a caso.

Certo é que das 17 mortes, 13 aconteceram em instituições de saúde, sendo que a maioria das mulheres tinha entre 35 e 44 anos. A região Norte e a Área Metropolitana de Lisboa foram as regiões que registaram mais óbitos.

A taxa de mortalidade materna atingiu, em 2020, 20,1 óbitos por 100 mil nascimentos. É preciso recuar 38 anos, até 1982, para encontrar um número mais alto. Os dados do INE, consultados pelo JN, mostram que, nessa altura, por cada 100 mil partos, morriam 22,5 mães.

De acordo com os dados do INE, a taxa mais baixa de mortalidade materna registou-se no ano 2000, com 2,5%.

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