Há muito mais portugueses a morrer em casa e óbitos em investigação dispararam

Há mais 24% de mortes em investigação e óbitos que ocorreram em casa subiram 18% desde o início da pandemia. Nos hospitais aumento fica pelos 5,6%. DGS confirma tendência e estuda causas.

O aumento da mortalidade em Portugal continua em setembro e a subida, desde o início da pandemia, tem sido muito mais forte nos óbitos registados em casa.

A análise foi feita pela TSF com base no Sistema de Informação dos Certificados de Óbito da Direção-Geral de Saúde (DGS) e focou-se no período de 1 de março a 20 de setembro, ou seja, desde os primeiros casos de Covid-19 em Portugal.

A tendência de aumento já revelada por outros estudos mantém-se nos primeiros 20 dias de setembro com mais 763 mortos que em igual período de 2019, num total acima dos seis mil óbitos (6.165) - barreira que nunca tinha sido ultrapassada em nenhum ano entre 2009 e 2019 (os anos disponíveis no site da DGS).

Comparando com a mortalidade por Covid-19, nesse período de 20 dias de setembro o novo coronavírus matou cerca de 90 pessoas.

Até agora, em pouco mais de seis meses, desde o início da pandemia, morreram mais 6.829 pessoas que em 2019 - a Covid-19 matou menos de 2 mil - e o total de óbitos, 64.756, está muito acima de todos os anos anteriores desde 2009, anos em que nunca se tinha ultrapassado a barreira dos 60.000.

Muito mais mortos em casa

Os números revelam ainda que as mortes em casa ainda são menos de metade do total mas tiveram um crescimento muito mais abrupto (+18,3%) que as mortes em instituições de saúde (hospitais) onde o aumento se ficou pelos 5,6% (na comparação entre 2019 e 2020).

Além dos óbitos em casa nota-se ainda uma subida, ainda mais expressiva, da mortalidade naquilo que a DGS identifica como "outros locais" - por exemplo, segundo o esclarecimento enviado à TSF, "na via pública, quando o local do óbito não é conhecido ou noutro qualquer espaço físico".

Óbitos em investigação

Os óbitos em investigação também tiveram um aumento muito superior ao da mortalidade geral, ultrapassando, de março até 20 de setembro, as 6.500 mortes (+24,4% que em 2019).

A opção 'sujeita a investigação' é selecionada quando o tipo de óbito é desconhecido pelo médico à data da realização do certificado.

DGS estuda tendência

Questionada pela TSF sobre as conclusões anteriores, a DGS confirma, por escrito, "um aumento das mortes certificadas como 'noutro lugar' e no 'domicílio', e dos óbitos 'sujeitos a investigação' no ano de 2020 em relação aos 5 anos anteriores".

Contudo, a entidade liderada por Graça Freitas afirma que ainda não é possível "identificar as causas básicas de morte".

Dizendo que é "prematuro avançar com explicações para as causas desta variação", a DGS garante que "acompanha estas variações com atenção e está a estudar as suas possíveis causas".

Mortalidade de novo acima do esperado em setembro

Sobre o total dos números da mortalidade, a DGS responde que "na mortalidade por todas as causas e por todas as idades observou-se excesso mortalidade em janeiro, abril, maio, julho e agora mais recentemente no dia 16 de setembro", dia em que existiu um "excesso de 68 óbitos".

Sobre setembro, apesar de não existir aquilo que os técnicos consideram um 'excesso de mortalidade', a autoridade de saúde confirma, no entanto, que "verificaram-se mais 354 óbitos acumulados em relação ao esperado", tendo em conta o histórico de anos anteriores.

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