Numa operação inédita, Amadora-Sintra abre enfermaria num hospital privado

Sobrecarga na rede de oxigénio deve obrigar a transferir um total de 90 doentes, 19 para uma enfermaria no Hospital da Luz onde vão trabalhar profissionais de saúde do Amadora-Sintra.

Numa operação inédita, o Hospital Amadora-Sintra (um hospital público) vai abrir uma enfermaria com os seus próprios médicos e enfermeiros num hospital privado.

Em causa a transferência de 19 doentes para o Hospital da Luz que se deve concretizar esta quarta-feira depois de ontem, terça-feira, já terem sido transferidos 53 doentes para outros hospitais da rede pública depois de falhas na rede de fornecimento de oxigénio medicinal.

Ao todo, a TSF sabe que o objetivo do Amadora-Sintra é transferir um total de 90 doentes, ou seja, todos aqueles que foram colocados nas 90 camas criadas nos últimos dias para responder à enorme procura de doentes com covid-19 - este hospital da periferia de Lisboa é aquele que no país que tem mais doentes internados com o coronavírus.

Devido aos constrangimentos ocorridos, segundo um comunicado do hospital divulgado na terça-feira, passou a ser "aconselhável a diminuição do número de doentes internados a quem é necessário administrar oxigénio em alto débito".

"Não está em causa a disponibilidade de oxigénio ou o colapso da rede, mas sim a dificuldade da estrutura existente em manter a pressão. Assim é necessário aliviar o consumo de oxigénio para estabilizar a rede e repor a normalidade", lê-se na nota.

O Amadora-Sintra agradeceu "a solidariedade dos hospitais que receberam os doentes que se encontravam internados" e "às corporações de bombeiros, INEM e empresas privadas que permitiram transferir os doentes num tempo relativamente curto".

"Nunca esteve em causa a vida dos doentes, porque assim que foram reportadas as flutuações no débito do oxigénio, estes doentes iniciaram ventilação através de botijas, de cilindros de oxigénio que nós temos muitos, estamos muito bem fornecidos", disse à agência Lusa Diana Ralha, assessora do Amadora-Sintra.

"Os constrangimentos referidos foram colmatados com recurso a garrafas de oxigénio, envolvendo a mobilização de vários profissionais cujo esforço se agradece publicamente", lê-se no comunicado.

Segundo a nota, "HFF tem já em curso um conjunto de obras para reforço da rede de fornecimento de oxigénio. Está em curso um reforço da rede de gases medicinais que serve esta unidade, designadamente as áreas das enfermarias, serviços de urgência, unidades de cuidados intensivos, entre outras".

"Na semana passada foi instalada uma nova rede de oxigénio na Torre Amadora para reforço da rede já existente, visando a manutenção de fluxos e estabilização da rede de oxigénio", referiu o documento.

Segundo o hospital, teve igualmente início "os trabalhos para a instalação de um novo tanque de oxigénio que funcionará em paralelo com o existente. Esta nova infraestrutura, que se estima ficar concluída dentro de três semanas, vai dar resposta a eventuais necessidades de aumento do consumo".

Além disso, de acordo com a nota, tiveram também já início os trabalhos de instalação de uma rede redundante na Torre Sintra, que tal como a rede redundante instalada na outra torre irá reforçar a rede de gases medicinais já existente.

Adicionalmente, segundo o hospital, vai também ser instalado um tanque de oxigénio para alimentar em exclusivo a área dedicada a doentes respiratórios do Serviço de Urgência e que ficará independente da rede principal do Amadora-Sintra.

"Já éramos o Hospital com mais doentes com Covid-19, com 363 pacientes, e mesmo com estas transferências, continuamos a ser o hospital com mais doentes Covid-19", disse Diana Ralha.

"Nunca recusamos nenhum doente, nunca recusamos cuidados a nenhum paciente. Mas devido a estes problemas de infraestrutura, tivemos que colocar aqui um travão. Nas últimas 72 horas, o Hospital Amadora-Sintra aumentou 90 camas de enfermaria Covid-19. O nosso plano de contingência, no pior cenário, previa 120 doentes com Covid-19", sublinhou a assessora do hospital.

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Notícia atualizada às 8h55

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