Insegurança no Cais do Sodré preocupa agências europeias

Em causa está a onda de assaltos, a falta de policiamento e os ajuntamentos que se verificam regularmente na Praça Europa.

O Observatório Europeu da Droga e da Toxicodependência e Agência Europeia de Segurança Marítima, com sede em Lisboa, afirmam à TSF que estão preocupados com a onda de assaltos e ajuntamentos na Praça Europa, na zona ribeirinha da cidade, junto ao Cais do Sodré. As instituições queixam-se de danos provocados nos edifícios oficiais e de falta de resposta por parte das autoridades portuguesas.

"Há um problema de segurança", garante Alexis Goosdeel, diretor do Observatório Europeu da Droga e da Toxicodependência. Em causa está a onda de assaltos, a falta de policiamento e os ajuntamentos que se verificam regularmente na Praça Europa em Lisboa, entre o Cais do Sodré e o Cais das Colunas. O problema aumentou com o desconfinamento, parece estar cada vez pior e já levou vários funcionários do Observatório a pedirem para ficar em teletrabalho: "Parte do pessoal tem pedido para mudarmos as regras, para ficarem a trabalhar em casa ou saírem mais cedo, para evitar atravessar a praça demasiado tarde porque têm receio de assaltos. Nas últimas semanas alguns colegas têm tido muito medo de circular com a mala ou computador."

Em entrevista à TSF, o responsável europeu afirma que muitas vezes a Praça Europa mais parece um acampamento: "Quando há 30, 40 ou mais pessoas sentadas e encostadas na parede a beber e a fumar qualquer coisa, a usar o espaço como se fosse um acampamento, há muitos momentos em que até é difícil entrar no prédio. Obviamente que nos lugares onde estão apoiados a consumir, mas também onde há impacto devido à prática de skate, por exemplo, o nosso prédio, que é um prédio oficial de um organismo europeu, tem buracos na parede", lamenta.

A mesma queixa é feita à TSF pela Agência Europeia de Segurança Marítima (EMSA), que fica paredes meias com o Observatório Europeu. Numa nota enviada à redação, a EMSA diz estar consciente das questões de segurança na Praça Europa, particularmente durante a noite e aos fins de semana. "O nosso edifício já foi, inclusivamente, danificado. Estamos em permanente contacto com as autoridades locais na tentativa de resolver a situação e esperamos que se encontre uma solução rapidamente", esclarece a EMSA. Ambos os prédios são propriedade do Porto de Lisboa que, por várias vezes, foi obrigado a reparar as fachadas.

No entanto, os problemas não ficam por aqui, já que as paredes e janelas dos prédios são usadas para outros fins. Alexis Goosdeel afirma que a concentração, que implica vários consumos, "leva as pessoas a utilizarem as paredes e até as janelas do nosso prédio como casa de banho, sem dar conta de que há gente do outro lado da janela a trabalhar. Isso é totalmente inaceitável e as condições mínimas da nossa segurança como instituições europeias não estão garantidas."

Ate agora o Observatório Europeu da Droga e da Toxicodependência e a Agência Europeia de Segurança Marítima já bateram a varias portas, mas os problemas continuam.

"Já contactámos o Serviço do Protocolo do Estado do Ministério dos Negócios Estrangeiros, enviámos uma carta para o Porto de Lisboa e a Câmara Municipal de Lisboa", afima Alexis Goosdeel.

O alto responsável lamenta a falta de resposta das autoridades portuguesas e lembra que "a EMSA e o Observatório recebem várias visitas políticas de alto nível e esta situação não permite receber um Chefe de Estado em condições, de forma a dar uma imagem positiva das agências, de Portugal e de Lisboa."

Ministério pediu que sejam determinadas medidas de segurança

A TSF contactou o Porto de Lisboa e o Ministério dos Negócios Estrangeiros, que confirma ter recebido "comunicações das duas agências em causa, tendo encaminhado as preocupações nelas expressas para as autoridades com competência em matéria de segurança, nomeadamente a Polícia de Segurança Pública, com um pedido para que fossem determinadas as medidas de segurança consideradas adequadas".

A Câmara Municipal de Lisboa afirma estar a inteirar-se de várias questões, numa altura em que o atual presidente tomou posse há apenas dois dias.

Notícia atualizada às 21h34

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