Empresa esperou tanto pelo Governo que desistiu das obras no Hospital de Viseu

Ministério da Saúde volta a falhar prazo para arranque da ampliação da urgência, uma obra que deverá ficar mais cara para os cofres públicos.

A empresa escolhida para fazer a ampliação do Hospital de Viseu esperou tanto tempo que acabou por desistir da obra.

Foram dois anos de espera desde a adjudicação, em concurso público, até à autorização do Governo, recente, para avançar com as obras.

A desistência é confirmada à TSF pelo conselho de administração de um hospital que serve meio milhão de pessoas de vários concelhos da Beira Alta.

O Ministério da Saúde tinha garantido que a obra adjudicada há dois anos começaria até ao fim de junho, mas o Centro Hospitalar Tondela Viseu confirma à TSF que a empresa escolhida em concurso, depois de contactada, acabou por desistir.

O conselho de administração diz que está à procura a melhor solução legal para avançar em breve com a obra.

Obra urgente há 5 anos

Duas fontes ligadas ao processo adiantam que o problema é que a obra foi adjudicada há dois anos, mas a autorização do Governo para fazer a despesa demorou tanto que as condições de mercado mudaram diminuindo o interesse das empresas de construção civil numa altura em que este mercado está em alta e os preços subiram.

O presidente da Câmara de Viseu sublinha a urgência de fazer uma obra prometida há cinco anos numa urgência onde se chegam a atender 400 doentes por dia e que foi projetada para menos de metade.
Almeida Henriques recorda que há cinco anos que esta obra é considerada urgente e que a situação é grave, nomeadamente porque o dinheiro da União Europeia para avançar está há muito disponível, sendo "natural que a empresa que há dois anos estava disponível para fazer a obra deixe de estar porque o mercado mudou".

O autarca culpa o Ministério das Finanças que durante dois anos andou a adiar a comparticipação do Estado português para uma obra que foi considerada prioritária para os concelhos da Comunidade Intermunicipal Viseu Dão Lafões.

"Fico chocado com as condições das urgências"

Agora, na prática, refere Almeida Henriques, será preciso saber se as outras empresas excluídas no concurso público realizado há dois anos se mantêm interessadas, caso contrário será preciso fazer um novo concurso, adiando ainda mais o projeto, parecendo certo que a obra irá custar mais dinheiro ao Estado num mercado da construção civil cada vez mais inflacionado.

O autarca de Viseu diz que as notícias não são boas e sublinha as péssimas condições das urgências deste hospital: "Eu vou ao hospital e fico chocado com as condições em que as pessoas estão. As pessoas estão espalhadas pelos corredores fora numa situação que não é humana", conclui.

Contactado pela TSF, o ministério da Saúde remeteu mais esclarecimentos para o Hospital de Viseu, que por sua vez diz não ter mais nada a acrescentar.

[Notícia atualizada às 10h35]

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